7.2.15

Excertos

São as pequenas coisas, pensou ele, são sempre as pequenas coisas.
Há umas semanas tinha pensado exactamente na mesma frase, mas num contexto diferente. Eram as pequenas coisas que lhe faziam falta na relação que tinha e que lhe estavam a sugar a felicidade. De que lhe servia dizer que tinha encontrado alguém especial, se continuava a sentir-se sozinho? Se ao seu lado não caminhava ninguém, nunca caminhava ninguém? Faltavam-lhe os carinhos inopinados, o calor do corpo dele e as palavras... 
Eram as pequenas coisas, as coisas insignificantes que por vezes tendemos a desprezar, mas que fazem uma diferença significativa. 
Contudo, hoje, as pequenas coisas que encontrou, foram aquelas que nunca soube que lhe faltavam: o vento a bater-lhe no rosto, o sol de encontro aos olhos, o caminhar lentamente, despreocupadamente, o aceno de um estranho e o sorriso em resposta que se lhe seguiu... E a solidão, por incrível que pareça. 
Ele e os seus pensamentos passearam-se junto ao rio; ia sozinho, no meio de tanta gente acompanhada, no entanto, sentia-se leve e feliz. Nem por um momento sentiu pena de si mesmo, pois era uma realidade que já tinha aceitado há muito tempo. Aliás, o único futuro que ele via para si mesmo, não incluía mais ninguém na vida dele, a não ser os amigos que ia cultivando e a família que ainda tinha e mesmo assim... 
Há já muito tempo que não passava tempo de qualidade sozinho, mas sentiu-se satisfeito por ter decidido sair de casa. Lá está, são sempre as pequenas coisas. 

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