14.4.14

Eu devo ser muito rico e não o sei!

Leiam o ponto 6 deste post que eu escrevi à umas semanas, é que tenho que voltar a este assunto.
Contextualizando: no outro dia, vi uma reportagem na RTP1, que comparava a situação de uma família de funcionários públicos com dois filhos, antes de começarem os cortes e depois de aplicados todos esses cortes (acho que era em 2011 e 2014, dia 1 ou 2 de Abril).
Diziam que desde 2011 tinham mudado muitos hábitos, nomeadamente o hábito de comer peixe, porque é mais caro (e é!), e o hábito de a senhora ir ao cabeleireiro todas as semanas.

Senti uma revolta tão grande ao ouvir isto! Eu não sou daquelas pessoas que não tem pena dos funcionários públicos, que diz que eles merecem os cortes, porque não tenho como saber isso! Agora, revolta-me estas reportagens, em que as pessoas se vão para ali queixar, fazendo parecer que estão à beira de ir viver para a rua, coisa que não é verdade, quando, na casa delas, entra o dobro do dinheiro que entra na minha casa. É revoltante e já o disse e torno a dizê-lo.
Cheguei a casa na quinta feira à noite, por volta das 23h, desde aí, fiz cerca de 3 refeições de peixe em 6 refeições (almoço e jantar, sexta a domingo). Os meus pais não são funcionários públicos, a minha mãe recebe uma miséria a que decidiram chamar reforma e o meu pai recebe pouco mais que o salário mínimo!
Obviamente que, há uns anos, também nós vivíamos melhor, mas adaptámo-nos ao que tínhamos e não andamos para aí feitos coitados! Tivémos que reduzir nas despesas, mas acho que hoje, comemos muito melhor do que comíamos quando tínhamos mais margem financeira...
Mas, atenção, cada um gere o dinheiro da forma como quer, afinal é seu e eu não tenho nada a ver com isso, só não quero é que se venham queixar que estão mal.
Acho que queria dizer mais coisas, mas esqueci-me.

6 comentários:

Kyle Phillipe disse...

A verdade é que Portugal está numa situação bastante complicada, mas em grande parte porque as pessoas, no geral, não sabem gerir o que têm e tendem a levar uma vida que não podem comportar. Isso é revoltante, porque mostra que a maioria dos portugueses vive das aparências e daquilo que não é.
Espero, muito sinceramente, que consigamos dar a volta por cima e que as pessoas alterem a sua forma de pensar e de agir perante a vida.
Como eu costumo dizer, mais do que uma crise económica, em Portugal(e no Mundo) vive-se uma crise de valores.

sad eyes disse...

Está muito bem visto, mas uma reportagem vale o que vale.
Perdemos todos muito poder de compra nos ultimos anos, e é um facto.
Ora, mas se quiseres ver por outro prisma, continuamos todos a ter muitos luxos que nem nos damos conta...

Horatius disse...

Sabes que há pessoas que não sabem gerir o seu próprio dinheiro. Agora também te digo, conheço uma func. pública, que ganhava cerca de 1200€ limpos aí em 2009. Hoje ganha 900€ +/-.
Tem dois filhos na faculdade. Cortaram-lhe a bolsa e o abono de família. É o único sustento daquela família. E se se queixar, quase é vaiada por ser funcionária pública e receber +/- dois ordenados mínimos.

AdamWilde disse...

@Horatius, é verdade que só o facto de se ser funcionário público e de se queixar, gera logo descontentamento por parte das outras pessoas, mas há casos e casos e eu não sou das pessoas que diz que os funcionários públicos merecem todos os cortes que têm e tudo aquilo que perderam!

Namorado P.S. disse...

Percebo a revolta e os exemplos não foram bem escolhidos. Mas todos nós fizemos planos de vida com o que tínhamos e de um momento para o outro,ficámos sem plafond para todos os nossos compromissos já assumidos.

um coelho disse...

É revoltante assistir a essas reportagens de televisão e pensar que a nossa própria situação é bem pior e não fazemos disso o maior drama nem vamos a correr para a câmara a dizer que não temos que comer. Nem todas as famílias têm a mesma capacidade de encache, e engenharia financeira também. Não penses mais nisso, Adam.