16.12.13

Serei um saudosista enquanto viver, ou enquanto espero por algo que me faça olhar com esperança para o futuro e não com medo.
Como olho para o futuro com medo, refugio-me naquilo que aconteceu um dia e que nunca mais se irá repetir. Sinto-me confortável a viver por entre essas memórias felizes desses tempos a preto e branco... Não importa que me esteja a enganar, desde que me sinta seguro.
Gosto de ouvir música enquanto leio, é uma maneira de calar o que quer que esteja lá fora: o barulho ou o silêncio, e, por isso, tendo a relacionar músicas a livros. Sempre que ouço uma determinada música, recordo o livro que li ao ouvi-la. É algo recorrente e que não tem mais efeito em mim, senão uma breve viagem ao passado (a um passado relativamente distante) - ao meu eu, ao local, ao livro...
Hoje não foi assim.
Estava a ouvir esta música, quando uma comporta se abriu na minha e uma torrente de pensamentos invadia a minha mente.
Lembrei-me de um livro que li em Junho deste ano, com o qual me identifiquei bastante, não só porque abordava uma história sobre uma relação complicada entre pai e filho, mas porque também falava sobre uma história de amor complicada.
Isto foi o que eu escrevi na altura: 

Acabei de ler este livro agora mesmo e não sei, depois de o ter lido, se gostei ou não, porque isso depende do final e eu não sei o que pensar do final deste livro!
Sei que gostei do livro desde o primeiro momento em que o comecei a ler e gostei, porque me identifiquei com a história: um pai presentemente ausente; um amor condicionado pela figura paterna, que não deixou o filho preparado para lidar com sentimentos, preferindo escondê-los a mostrá-los. Revi-me em grande parte da história, a minha relação com o meu pai também é feita de ausências e de palavras não ditas. O meu pai não é um homem de palavras para comigo, mas de acções, de resto, como o pai do Lorenzo, e ele diz-me "gosto muito de ti" várias vezes e à sua maneira, é certo, através de acções, eu é que não tenho sido capaz de compreender...
Depois, a história de amor mal terminada. O Lorenzo gosta dela, mas ela vai casar com outro e este faz tudo para a reconquistar, até que, eventualmente, consegue e, aqui, precipitamo-nos para o final, que eu não sei se gostei. Ela diz-lhe que o ama, mas depois foge. Depois, ela já lá não está...
De certa forma, via nesta história de amor, a minha própria história. Eu gosto dele, nunca amei ninguém como ele, mas, agora, que me sinto preparado, tal como se sentia o Lorenzo, ele já lá não está, ele já não quer estar comigo, não gosta de mim, está apaixonado por outro... Ou seja, o facto de ela ter fugido, o facto de, aparentemente, eles não terem ficado juntos, faz com que perda a estúpida esperança que ainda acalento. Ainda por cima, depois de ontem, daquele olhar, enquanto nos despedíamos, era ele, ele que ainda me amava, eu vi, sem dúvida, vi aquilo que estava para ser visto e não aquilo que queria, vi-o quando ainda estávamos juntos e fazíamos juras de amor eterno, tal como o Lorenzo viu aquele olhar nela, o olhar que ele tão bem conhecia.
Mas ela fugiu... O que significa, ele também vai fugir e eu vou ficar destroçado, mais do que já estou, agora sem ele, no entanto, ainda acalento uma esperança, porque esta é a última a morrer. Contudo, depois de ele fugir, já não há esperança a que possa agarrar-me, porque nessa altura, ele levá-la-à com ele.

Comecei a chorar quando me lembrei de tudo isto. Tenho saudades! Mesmo tendo odiado esses tempos, sinto saudades! E sinto saudades dos tempos antes desse em que estava com ele e era feliz com ele. Melhor dizendo, sinto saudades do que sentia quando estava com ele. Já não sinto nada por ele, mas sentia-me seguro quando estava com ele e queria voltar a sentir isso outra vez. Então, o futuro não se me apresentava tão incerto, tão obscuro, mas, agora, já há muito tempo, melhor dizendo, o futuro assusta-me e não foram poucas as vezes que já o repeti.












1 comentário:

Namorado disse...

Dualidade de emoções :S A vida no seu esplendor :)