31.12.13

Para 2014...

Lembram-se quais eram as minhas palavras de ordem para 2013? Não? Eu também não. Mas estão aqui. Tinha tudo a melhor das intenções, mas cheguei ali a fevereiro e já não me lembrava delas. Enfim...
Para 2014, quero ver se não me esqueço delas, até porque já aprendi, da pior maneira, que não devo guardar a matéria toda para estudar antes dos exames, pelo que espero que o próximo semestre seja diferente.

3 coisas que preciso de meter na cabeça à força toda:

  1. O passado é bonito, porque só te lembras dos momentos bonitos. Passaste mais tempo zangado com ele, do que propriamente a ter os momentos felizes de que te lembras. 
  2. O futuro ainda não chegou. TEM CALMA!
  3. Deprimir sobre as coisas não leva a lado nenhum. Espera que tudo aconteça naturalmente.
Basicamente, é isto.
2013 foi o ano em que consegui ler 30 livros. Para 2014 espero que sejam os mesmos ou mais ainda. Mais filmes e séries. Mas também mais estudo e menos preguiça. 

Espero conseguir fazer com que 2014 não seja a merda que 2013 foi. 
Bom Ano.

P.S: O blog faz anos. Não sei quantos... Mas faz. Á meia noite. 

30.12.13

O que fica de 2013...

No início deste ano publiquei este post, mas 2013 não foi nada de soalheiro, pelo menos para mim. Foi um ano de perdas. No plano internacional, destaco o Cory Monteith e o Mandela, cujas mortes me deixaram triste, o primeiro por ser tão jovem e o segundo por parecer que nunca iria morrer, que não era da natureza de pessoas como ele, morrer. Mas também foi marcado por perdas ao nível local, ao nível familiar, uma perda que mexeu bastante comigo e que, por vezes, dou por mim a pensar em tudo o que envolve o facto de o meu tio ter morrido. O mais novo dos 5 irmãos do lado da minha mãe, que tinha feito um transplante de coração como a minha mãe, mas ela sobreviveu e ele não... E ela esteve uma semana com o externo aberto, saiu do hospital a pesar menos de 40 quilos...
Eu não quero tornar este post muito pesado, mas dou por mim a colocar a mais inútil das perguntas: porquê?
Eu sei que já leram isto, mas ele deixou dois filhos pequenos e isso é que mais me entristece. E dou por mim a pensar nos momentos em que passámos juntos e nos tempos que antecederam a morte dele, ninguém estava à espera.

Depois, foi um ano de mudança, uma nova vida, fora da casa dos pais, na capital. Posso dizer que tenho aproveitado aquilo que posso, dentro daquilo que gosto e estou a gostar.
Houve momentos em que me senti terrivelmente sozinho, tanto nesta nova vida, como ao longo, mas foram ultrapassados com a ajuda dos amigos. No entanto, há ocasiões em que os amigos não chegam, falta algo mais, aquela coisa, falta aquela coisa que diferencia uma pessoa numa multidão, aos nossos olhos. Mas cheguei à conclusão que não estou preparado para isso. Estou demasiado confortável sozinho, para além de que sou péssimo namorado.
No entanto, não posso negar que tenhos saudades e já o disse este mês num post, algures... Mesmo tendo sido eu quem arruinou tudo!

Apesar das mudanças, sei que há pessoas que vão ficar para a vida e isso conforta-me.

20.12.13

Excertos da última aula de História do Pensamento Biológico - parte 2

Há uma tribo, chamada, Tuvan, que tem duas palavras com significados curiosos:
  • Songgaar: Andar para trás ou futuro
  • Burungaar: Andar para a frente ou passado.
Não, eu não me enganei. Parece-vos estranho? A mim também, que sempre ouvi dizer coisas como "bola prá frente" e "para a frente é que é o caminho", mas depois comecei a pensar e até faz bastante sentido. Imaginem:

Eu nasço. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Eu aprendo a andar. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Eu entro para a escola. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Eu vou para artes. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Eu mudo para ciências. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Eu entro para Biologia. (Dá um passo atrás e deixa cair uma folha)
Tudo o que está à minha frente é o meu passado, isto são as coisas que

eu vejo, que eu já vivi, estou de frente para elas. Mas alguma vez eu poderei saber aquilo que me irá acontecer ou o que não me irá acontecer? Não, porque estou de costas e não vejo.
Para me simplificar o pensamento, eu costumo chamar-lhe andar para a frente de costas. 



19.12.13

Excertos da última aula de História do Pensamento Biológico - parte 1

Levante o braço quem se relaciona com o que vou dizer a seguir:
Nascemos.
(Todos levantam o braço.)
Existimos.
(Todos levantam o braço.)
Respiramos.
(Todos levantam o braço.)
Vemos.
(Todos levantam o braço.)
Amamos.
(Todos levantam o braço.)
Somos amados.
(Todos levantam o braço.)

Então porque é que não somos felizes?

16.12.13

Serei um saudosista enquanto viver, ou enquanto espero por algo que me faça olhar com esperança para o futuro e não com medo.
Como olho para o futuro com medo, refugio-me naquilo que aconteceu um dia e que nunca mais se irá repetir. Sinto-me confortável a viver por entre essas memórias felizes desses tempos a preto e branco... Não importa que me esteja a enganar, desde que me sinta seguro.
Gosto de ouvir música enquanto leio, é uma maneira de calar o que quer que esteja lá fora: o barulho ou o silêncio, e, por isso, tendo a relacionar músicas a livros. Sempre que ouço uma determinada música, recordo o livro que li ao ouvi-la. É algo recorrente e que não tem mais efeito em mim, senão uma breve viagem ao passado (a um passado relativamente distante) - ao meu eu, ao local, ao livro...
Hoje não foi assim.
Estava a ouvir esta música, quando uma comporta se abriu na minha e uma torrente de pensamentos invadia a minha mente.
Lembrei-me de um livro que li em Junho deste ano, com o qual me identifiquei bastante, não só porque abordava uma história sobre uma relação complicada entre pai e filho, mas porque também falava sobre uma história de amor complicada.
Isto foi o que eu escrevi na altura: 

Acabei de ler este livro agora mesmo e não sei, depois de o ter lido, se gostei ou não, porque isso depende do final e eu não sei o que pensar do final deste livro!
Sei que gostei do livro desde o primeiro momento em que o comecei a ler e gostei, porque me identifiquei com a história: um pai presentemente ausente; um amor condicionado pela figura paterna, que não deixou o filho preparado para lidar com sentimentos, preferindo escondê-los a mostrá-los. Revi-me em grande parte da história, a minha relação com o meu pai também é feita de ausências e de palavras não ditas. O meu pai não é um homem de palavras para comigo, mas de acções, de resto, como o pai do Lorenzo, e ele diz-me "gosto muito de ti" várias vezes e à sua maneira, é certo, através de acções, eu é que não tenho sido capaz de compreender...
Depois, a história de amor mal terminada. O Lorenzo gosta dela, mas ela vai casar com outro e este faz tudo para a reconquistar, até que, eventualmente, consegue e, aqui, precipitamo-nos para o final, que eu não sei se gostei. Ela diz-lhe que o ama, mas depois foge. Depois, ela já lá não está...
De certa forma, via nesta história de amor, a minha própria história. Eu gosto dele, nunca amei ninguém como ele, mas, agora, que me sinto preparado, tal como se sentia o Lorenzo, ele já lá não está, ele já não quer estar comigo, não gosta de mim, está apaixonado por outro... Ou seja, o facto de ela ter fugido, o facto de, aparentemente, eles não terem ficado juntos, faz com que perda a estúpida esperança que ainda acalento. Ainda por cima, depois de ontem, daquele olhar, enquanto nos despedíamos, era ele, ele que ainda me amava, eu vi, sem dúvida, vi aquilo que estava para ser visto e não aquilo que queria, vi-o quando ainda estávamos juntos e fazíamos juras de amor eterno, tal como o Lorenzo viu aquele olhar nela, o olhar que ele tão bem conhecia.
Mas ela fugiu... O que significa, ele também vai fugir e eu vou ficar destroçado, mais do que já estou, agora sem ele, no entanto, ainda acalento uma esperança, porque esta é a última a morrer. Contudo, depois de ele fugir, já não há esperança a que possa agarrar-me, porque nessa altura, ele levá-la-à com ele.

Comecei a chorar quando me lembrei de tudo isto. Tenho saudades! Mesmo tendo odiado esses tempos, sinto saudades! E sinto saudades dos tempos antes desse em que estava com ele e era feliz com ele. Melhor dizendo, sinto saudades do que sentia quando estava com ele. Já não sinto nada por ele, mas sentia-me seguro quando estava com ele e queria voltar a sentir isso outra vez. Então, o futuro não se me apresentava tão incerto, tão obscuro, mas, agora, já há muito tempo, melhor dizendo, o futuro assusta-me e não foram poucas as vezes que já o repeti.