5.10.13

Que descanse em paz

Cheguei à minha cidade, aquela onde cresci, e havia tanta coisa diferente. Parece que o mundo continuou a sua marcha, acompanhando o inexorável avançar do tempo, sempre para a frente e nunca para trás. Nós, somos nada, somos pó! Do pó nascemos e a ele regressamos.
Quando a minha avó morreu (em Dezembro de 2012) reagi bem à situação, ou seja, aceitei a sua morte, porque já tinha tido uma vida cheia e completa e agora estava a sofrer enquanto definhava lentamente. Claro que não deixei de pensar na morte e no quão repentina ela era. Tinha sido a primeira morte na família, desde que eu me entendia e já tinha capacidade para pensar.
Hoje, 11 meses e 1 dia depois da morte da minha avó paterna, morreu o meu tio materno.
Na família da minha mãe há um historial de problemas de coração, a mãe dela morreu por causa disso, um primo dela fez um transplante de coração, ela também e o meu tio também, há um mês e pouco, depois de longos meses passando semanas no hospital e um ou outro dia em casa.
O transplante correu bem e ele estava a recuperar, mas, há duas semanas, o intestino perfurou e ele teve de ser operado de urgência. Estava a recuperar...
Tinha problemas de rins, que não estavam a funcionar e, por isso, tinha de fazer hemodiálise, e tinha o fígado muito afectado devido à medicação, pelo que se estava a falar em fazer um transplante de fígado. Seria arriscado, mas sem isso ele não iria aguentar muito mais tempo. Uma ou duas semanas, disse a médica. Aguentou uma semana.
Ontem, a minha mãe foi lá vê-lo, pela primeira vez. Disse que ele estava debilitado, mas até estava animado...
Tinha 38 anos, feitos a 1 de Setembro, e deixa dois filhos ainda demasiado pequenos para perder um pai. Ele, de resto, ainda era muito novo para partir; era o mais novo dos cinco irmãos.
Eu não sei o que sentir... Sinto-me tão pequenino e vejo um mundo enorme e cruel à minha volta. Sinto que a vida é injusta e que ele não podia ter morrido, mas sei que estou a ser parvo, porque a vida é mesmo assim.
Penso que eles ainda vão mudar de ideias e dizer que se enganaram e afinal ele está vivo. Tenho vontade de chorar sempre que olho para a minha mãe e a vejo com os olhos húmidos ou sempre que penso nos meus primos e na minha tia, que perderam um pai e um marido.

3 comentários:

Kyle Phillipe disse...

lamento imenso!
Muita força para ti e para a tua família.

Ricardo disse...

Pois é, somos impotentes e senti-mo-nos tão pequeninos :S Força! E abraço

Aaron Suzaku disse...

é péssimo quando algo assim acontece.. é péssimo quando acontece sempre a quem não merece :/