27.8.13

Sinto-me uma merda.

Estou-me a sentir uma merda. Não sei se sou eu que sou demasiado arrogante, egocêntrico e egoísta, que trato mal quem me quer bem, ou se são eles que não me compreendem bem e interpretam tudo mal.
YAY, aqui vai mais um post deprimente! É como me tenho sentido e não creio que isso vá mudar assim tão rapidamente. I mean, posso andar feliz uma tarde, mas isso não significa que as coisas estejam resolvidas...

Os meus pais amanhã vão à cidade de manhã e voltam ao meio dia, disse que ia com eles e ficava lá para a tarde, que eles me iam buscar depois. O meu pai disse que podia ser. Minutos mais tarde a minha mãe veio perguntar o que ia fazer e acrescentou que voltava com eles ao meio dia. Disse-lhe que ia ficar para a tarde e ela perguntou onde ia almoçar:
-Não sei ainda.
-Põe-te a gastar dinheiro, até parece que não sabes o que tens para comprar!
-Mas é só um dia e até parece que ando a sair todos os dias e a esbanjar dinheiro.
A conversa continuou, degenerou em discussão e terminou comigo a simplesmente não querer viver mais. A adolescência é uma fase tramada!

Eu compreendo que tenho que poupar dinheiro, porque vou para a Universidade e preciso de comprar imensas coisas e de imenso dinheiro para me manter lá, mas... Porra, tive umas férias de merda, fui um dia à praia e basicamente não saí mais de casa. É normal que queira passar um dia com amigos, sei lá, ser um adolescente normal (sim, eu sei...), para variar, um que não passa os dias fechado em casa sem falar com ninguém excepto os pais e as ocasionais visitas. Só gostava de não ser eu por uns momentos e ver como era! Vejo tanta a gente a divertir-se, a "viver a vida" e eu fico em casa a ler e a ver séries, o que não é mau de todo e eu gosto, mas acaba por fazer falta a companhia de alguém da minha idade...
Eu não acho que eles me consigam compreender, sei lá, as coisas mudaram tanto desde o tempo em que eles tinham a minha idade!

Tenho tanto acumulado cá dentro, que nem sei o que dizer ou por onde começar... Assim, de repente, vem-me à cabeça uma frase que já foi repetida duas vezes e que me enerva imenso: "Tu deves-me mais a mim do que eu a ti". Eis a prova da minha arrogância. Não sei, mas esta frase só me dá vontade de, um dia mais tarde, quando conseguir ter um salário, lhes pagar tudo aquilo quanto gastaram comigo, só para nunca mais ter de ouvir isto sair da boca deles. Magoa!
Mas depois lembro-me que estou a ser mau, muito mau. Eu sei que ás vezes respondo torto e que digo coisas parvas, que sou arrogante e só penso em mim, mas eu sou assim e não sei como mudar e depois, eles estão sempre a enervar-se e não dá para ter uma conversa. De qualquer maneira, eu já nem me consigo abrir para eles. Sinto que há um fosso à nossa volta...

Sinto-me uma merda, e, por isso, apesar de tudo o que já aqui escrevi sobre o desejo de ser normal, hoje, concedo-me o direito de desejar ser normal, só por um dia, embora sabendo que isso não existe.

No fundo, gostava de me conseguir compreender. Gostava de viver sem tanto drama à minha volta. Gostava de ter um pouco mais de contacto humano... Um abraço, um ombro para chorar, agora, vinha mesmo a calhar. Gostava que alguém se sentasse comigo e me fizesse falar. Para mim está sempre tudo, a menos que alguém me "obrigue" a falar. Gostava de sentir que faço parte... Não sinto isso quando estou com a minha família, sinto-me um estranho.

Desculpem-me pelo post, está um caos...

4 comentários:

Horatius disse...

Não poderei deixar de sorrir com o teu post. Relembra-me a minha própria adolescência. Semprei achei que tinha os piores pais do mundo.

Hoje vejo que eles tentaram fazer o melhor para eu ter o melhor. Só que não seria um bom adolescente se não discordasse deles. Um dia verás as coisas por outro prisma e irás perceber o ponto de vista deles e a sua preocupação (o que não quer dizer que concordes - eu ainda hoje discordo de muitas coisas que os meus pais me fizeram, mas consigo compreende-los).

Mark disse...

Eu acho que é legítimo que queiras viver a vida, passo a expressão. Estamos na idade. De facto, passar o Verão em casa não seria o ideal para mim, assim como não o é para ti (vai de pessoa para pessoa).

Conflitos entre gerações sempre existirão. Não penses que és só tu que tens querelas com os teus pais. :) Olha, eu tenho imensas com a minha mãe. Não discutimos, é certo, mas há sempre duas perspectivas sobre os mais variados assuntos. Na adolescência, sim, havia alguns conflitos. Foi uma fase delicada para mim (era mimado e chato, do pior!).

O desejar 'ser normal', vamos lá. Tens todo o direito. Sabes, aprendi isto nos últimos tempos: às vezes acontecem-nos coisas que alteram tudo até então. Tem sido assim comigo. Sei que é chato dizer 'dá tempo ao tempo' ou 'tem paciência', mas, a par de do que podes tentar fazer para mudar (e podes muito já com a faculdade à vista), nunca percas a esperança. Ainda correrá muita água debaixo da ponte, vais ver! Acredita!!

Kyuhamasihara disse...

Para falar a verdade, senti exatamente o mesmo. Tive fases em que qualquer conversa com eles se tornava num grande drama. Mas são apenas fases. Também já me disseram que era um "waste of money" e coisas parecidas. Acho que a solução é dar tempo. Vais amadurecer e a vossa relação também. Quanto às "não" saídas, eu sei quão frustrante é. Passa-se o mesmo aqui. Espero que isso na faculdade mude ;) Boa sorte.

Aaron Suzaku disse...

nem sempre a dependência é fácil, todos nós passamos por isso, a diferença é que alguns pais percebem a nossa fase de vida e até nos dão força para sair e passear, estar com amigos, outros simplesmente querem-nos presos sem gastar um tostão que seja.

não leves muito a sério o que eles dizem, sei que pode não ser fácil, mas pensa que existem muitos pais assim e tu podes não os conseguir mudar, por isso só te resta ouvir e ignorar. :/