28.8.13

Eu... já não sei que fazer.

Mas se eu sou uma pessoa horrível o que raio é que ainda ando aqui a fazer? Acabei de ouvir da boca da minha mãe que me estou a tornar numa pessoa horrível, tudo porque disse que não queria pegar nuns quantos pratos porque eram pesados e preferia que ela dividisse aquilo ao meio. Os pratos são de duas qualidades, uns mais pesados e outros mais leves... Perguntou-me logo se queria levar com o rabo da vassoura.
Zanguei-me e virei-lhe as costas, não arrumei merda nenhuma!
Estou tão revoltado com isto, a culpa é minha, sempre minha, sou eu que trago não sei o quê na cabeça, sou eu que sou horrível, mas ela faz sempre tudo bem.
Se sou assim tão mau porque é que não me mato?
Estive para lhe perguntar isto, em vez disso, disse-lhe que, a ser assim uma pessoa horrível, o que é que ainda andava aqui fazer e era para ter acrescentado que não tinha escolhido nascer, mas controlei-me, afinal, não digo tudo aquilo que me vem à cabeça.
A minha mãe irrita-se se lhe respondemos - eu e o meu pai - torto, mas quando ela o faz, a justificação dela é "o que querias que te respondesse?". Isto faz-me as entranhas tremer de raiva!
Este episódio fez-me lembrar os tempos em que saí do armário e a minha mãe dizia todo o tipo de porcaria contra isso... A Mulher Que Me Deu A Vida, porque nessa altura chamá-la de mãe não parecia certo, tal como agora não parece.

27.8.13

Sinto-me uma merda.

Estou-me a sentir uma merda. Não sei se sou eu que sou demasiado arrogante, egocêntrico e egoísta, que trato mal quem me quer bem, ou se são eles que não me compreendem bem e interpretam tudo mal.
YAY, aqui vai mais um post deprimente! É como me tenho sentido e não creio que isso vá mudar assim tão rapidamente. I mean, posso andar feliz uma tarde, mas isso não significa que as coisas estejam resolvidas...

Os meus pais amanhã vão à cidade de manhã e voltam ao meio dia, disse que ia com eles e ficava lá para a tarde, que eles me iam buscar depois. O meu pai disse que podia ser. Minutos mais tarde a minha mãe veio perguntar o que ia fazer e acrescentou que voltava com eles ao meio dia. Disse-lhe que ia ficar para a tarde e ela perguntou onde ia almoçar:
-Não sei ainda.
-Põe-te a gastar dinheiro, até parece que não sabes o que tens para comprar!
-Mas é só um dia e até parece que ando a sair todos os dias e a esbanjar dinheiro.
A conversa continuou, degenerou em discussão e terminou comigo a simplesmente não querer viver mais. A adolescência é uma fase tramada!

Eu compreendo que tenho que poupar dinheiro, porque vou para a Universidade e preciso de comprar imensas coisas e de imenso dinheiro para me manter lá, mas... Porra, tive umas férias de merda, fui um dia à praia e basicamente não saí mais de casa. É normal que queira passar um dia com amigos, sei lá, ser um adolescente normal (sim, eu sei...), para variar, um que não passa os dias fechado em casa sem falar com ninguém excepto os pais e as ocasionais visitas. Só gostava de não ser eu por uns momentos e ver como era! Vejo tanta a gente a divertir-se, a "viver a vida" e eu fico em casa a ler e a ver séries, o que não é mau de todo e eu gosto, mas acaba por fazer falta a companhia de alguém da minha idade...
Eu não acho que eles me consigam compreender, sei lá, as coisas mudaram tanto desde o tempo em que eles tinham a minha idade!

Tenho tanto acumulado cá dentro, que nem sei o que dizer ou por onde começar... Assim, de repente, vem-me à cabeça uma frase que já foi repetida duas vezes e que me enerva imenso: "Tu deves-me mais a mim do que eu a ti". Eis a prova da minha arrogância. Não sei, mas esta frase só me dá vontade de, um dia mais tarde, quando conseguir ter um salário, lhes pagar tudo aquilo quanto gastaram comigo, só para nunca mais ter de ouvir isto sair da boca deles. Magoa!
Mas depois lembro-me que estou a ser mau, muito mau. Eu sei que ás vezes respondo torto e que digo coisas parvas, que sou arrogante e só penso em mim, mas eu sou assim e não sei como mudar e depois, eles estão sempre a enervar-se e não dá para ter uma conversa. De qualquer maneira, eu já nem me consigo abrir para eles. Sinto que há um fosso à nossa volta...

Sinto-me uma merda, e, por isso, apesar de tudo o que já aqui escrevi sobre o desejo de ser normal, hoje, concedo-me o direito de desejar ser normal, só por um dia, embora sabendo que isso não existe.

No fundo, gostava de me conseguir compreender. Gostava de viver sem tanto drama à minha volta. Gostava de ter um pouco mais de contacto humano... Um abraço, um ombro para chorar, agora, vinha mesmo a calhar. Gostava que alguém se sentasse comigo e me fizesse falar. Para mim está sempre tudo, a menos que alguém me "obrigue" a falar. Gostava de sentir que faço parte... Não sinto isso quando estou com a minha família, sinto-me um estranho.

Desculpem-me pelo post, está um caos...

22.8.13

Inside my head!

Temo que as coisas se estejam a desencaminhar outra vez...
Eu e a minha mãe temos trocado imensas palavras duras, o que me faz sentir a pior pessoa do mundo, por fazê-la chorar, mas, assim que fico sozinho, começo a chorar compulsivamente. Sei que consigo ser uma pessoa má quando quero, mas ela tornou-se uma pessoa tão escarnecedora, está sempre a fazer comentários, não direi maldosos, mas é um pouco nesse sentido, e eu não me consigo controlar e respondo-lhe. Hoje passámos o dia praticamente de costas voltadas...
Incrivelmente, com o meu pai, as coisas até nem vão mal! Quer dizer, não discutimos muito nem nada, de resto, é a distância do costume. Contudo, o que me preocupa mais é a minha mãe! Transformou-se numa pessoa tão amarga, que parece que ela é uma santa e toda a gente lhe deve alguma coisa; devo-lhe a vida, mas já me perguntei, se foi bom ter nascido. Não gosto desta situação, parece que ela já não é a mesma pessoa de há uns tempos atrás, isto acrescido às ameaças em tom profético de que me hei-de arrepender, dão cabo de mim, põem-me os nervos no limite.
Como se não bastasse, ando a pensar Nele (como é óbvio, não é em Deus). Muito! Demasiado! Sinceramente, nem sei o que raio é que se passa comigo, o que raio é que vai na porcaria desta cabeça, porque são ridículos estes pensamentos! Às vezes odeio-me. Esta noite tive um sonho muito vivido em que era de noite e estávamos na rua os dois e ele me beija, sem olhar à volta, à procura de alguém que pudesse estar a ver. Pareceu tão real... Claro que, depois, teve a componente de acção normal dos sonhos (gee, não me interpretem mal!), em que acontecem cenas estranhas, como fugir de um jardim, por causa não sei de quê.
Mas eu sei que nunca vai acontecer nada, primeiro, porque eu nem sei o que sinto, embora, talvez tenha uma ideia, segundo, porque as coisas ficaram demasiado fucked up para isso, depois, porque, não sei, acho que não O mereço.
Pronto, é isto que me tem atormentado nos últimos dias. Acho que vou só ali remover o cérebro e depois falamos.

19.8.13

Migos, desta vez não vos vou maçar com posts deprimentes, embora... cenas... Até porque hoje fui gastar o meu vale de compras, por isso, estou feliz. Só fiquei triste porque havia um chapéu na loja, que me ficava bem, mas não mo deixaram comprar...
Anyway, venho-vos pedir um conselho, a vós, que sois mais sabedores sobre o mundo da informática que eu. No fundo, o que eu quero é saber o que é que um portátil tem para ser bom e, se vos aprouver, dêem-me exemplos de computadores específicos, mas lembrem-se que eu não sou rico! Atentem na relação qualidade/preço...
É só este o vosso trabalho de casa.

13.8.13

Com Facebook... Outra vez.

Durou pouco a minha aventura fora do Facebook, ontem lá caí na tentação e decidi reactivar a conta. No entanto, foram quase 3 semanas afastado e isso lá tem o seu mérito!
Mal reactivei a conta, fiquei parvo com as coisas que vi, que até me perguntei porque raio é que tinha saudades disto! Mas não vou desactivá-la, porque gostava de manter o contacto com certas pessoas e o Facebook parece-me o meio mais fácil para o fazer.
Cá em casa, o meu pai ficou de férias.
Ele odeia passar um dia inteiro sem sair de casa, como eu e a minha mãe muitas vezes fazemos. Satura-se, não sei... Mas isto faz com que se gerem discussões estúpidas sobre o que é que se disse e se quis dizer, etc, a sério, se presenciassem algumas cenas, apetecia-vos bater com a cabeça nas paredes. Fico farto de os ouvir, às vezes.
A culpa não é só de um. É sabido que a minha mãe tem um feitio super complicado e que faz comentários inoportunos, lança a sua piadinha de mau gosto e tem sempre uma porcaria para dizer... Isto irrita profundamente qualquer pessoa que conviva com ela todos os dias durante muito tempo - eu e o meu pai -. Não me interpretem mal, porque nestes últimos posts tenho dito várias coisas acerca da minha mãe, mas eu amo-a, simplesmente há coisas que ela faz que me irritam profundamente, porque só complica! E o papel de vitima que ela faz e quando ela me responde que não tem estudos e que não sabe falar comigo e quando eu lhe faço uma pergunta e ela não responde à pergunta mas começa a divagar sobre o tema, em perguntar de sim ou não... É cansativo!
Cheguei à conclusão que consigo ser mau - real bitch - quando quero, mas guess what, não estou nem aí para me ralar com isso. Não posso deixar que façam o que querem de mim!

Hoje estivemos a pintar o quarto dos meus pais, não podem lá dormir esta noite, por isso, a minha mãe, toda autoritária, mandou-me arrumar o quarto, porque queria dormir aqui hoje. É que sim, miga, é isso mesmo, o quarto é meu e estás a falar nesses modos? Fiz questão de lhe dizer que ia dormir na sala, porque o quarto era meu e ela nem tinha pedido se podia cá dormir, simplesmente disse. Até nem me importava de dormir na sala, mas agora, dormem eles.

8.8.13

Mas depois há dias assim...

Nos últimos tempos tenho andado em baixo, sem vontade de fazer muita coisa, os posts aqui no blog reflectem o meu estado de espírito. Os dias têm sido sempre mais do mesmo: levanto-me entre as 9 e as 10.30, vejo TV, arrumo a cozinha, dou uma passadela no chão, leio, estou no computador, ajudo a minha mãe no que é preciso e não passa daqui.
Mas depois há dias assim, dias como o dia de hoje.
Hoje combinei com o Edu e fui passar a tarde com ele à cidade, estivemos a tarde toda num barzinho muito giro, foram lá ter uns amigos dele que eu conhecia e por lá ficámos a jogar às cartas e a falar.
Depois, foi a vez de ir ao shopping.
Vou começar a ler O Diário de Anne Frank, nunca o cheguei a acabar e estou a meio de uma colecção sobre a história do século XX, em que vou, precisamente, nos anos da 2ª Guerra Mundial, pelo que, acho que faz sentido lê-lo. Era para o ter ido requisitar à Biblioteca Municipal, mas esqueci-me. Entretanto, também me tinham enviado uma sms da Bertrand a confirmar a chegada de um pack que eu tinha encomendado com o 3º e 4º volumes de Guerra dos Tronos. E assim fomos ao shopping.
Fui comprar os sapatos que eu já andava a namorar à séculos e que eram para a toilette do casamento que vou ter no fim de Agosto e depois fui à Bertrand. Comprei o pack, paguei e perguntei por O Diário..., mostrei o livro à minha mãe, olhei para ela, disse-lhe que o livro ia só ficar a 10 euros - era 16 - porque tinha 6 no cartão e ela disse que, nesse caso, não me ia comprar um blazer para levar ao casamento. Ora que proposta, claro que aceitei! Nem pensei duas vezes!
Portanto, gastei quase 50 euros em livros. Paguei três, trouxe cinco, porque o pack oferecia mais dois. (E eu delirei com isso!) Mas atenção, não sou rico: a minha tia - que é como se fosse uma avó para mim, na medida em que me deixa fazer tudo, tal como as avós, já que nunca tive uma em condições de poder ser assim para mim (uma morreu quando eu tinha um ano e a outra já era velha e doente, também já morreu) - deu-me 50 euros,  aliás, quem me deu foi o filho dela, meu padrinho, por seu intermédio e por isso, pude gastar tanto em livros desta vez.
Prosseguindo, (mas espero que estejam a sentir a minha alegria de ter cinco livros novos cá em casa!) o shopping da cidade está com um concurso de Verão: fazemos lá compras, levamos os talões ao balcão de informações e eles dão-nos fichas para jogar numa roda tipo a do Você na TV. Tinha três fichas para jogar. Fui jogar e na primeira tentativa, pensava que a luz ia calhar no Tente Novamente, mas não, calhou imediatamente a seguir, onde dizia Vale de 50 euros em compras. WHAT?!
I mean, WHAT?! Nunca tinha tido tanta sorte assim!
Saí de lá, tipo, a sorrir tanto, que nem sei... Fiquei mesmo tão contente, que acho que o mundo até ganhou novas cores aos meus olhos!
E pronto, foi isto, estou super feliz porque, tarde muito divertida, sapatos lindos, muitos livros novos e 50 euros para gastar, muito provavelmente, em roupa.
Só quero agradecer ao Edu pela tarde e pela metade da torrada que lhe roubei, que soube muito bem!

7.8.13

"Viveis tempos interessantes!"

"Os tempos interessantes são sempre tempos enigmáticos que não prometem descanso, nem prosperidade, continuidade nem segurança. 
Nunca a humanidade juntou tanto poder e tanta desordem, tanta apreensão e tantas diversões, tanto conhecimento e tanta incerteza."  - Paul Valéry (13 de Julho de 1932)
[Retirado de "A História do Século XX, Vol. 3" - Martin Gilbert]

3.8.13

O caderninho azul

Eu tenho um caderno azul de tamanho A5, que funciona como uma espécie de diário. Escrevo lá de tempos a tempos, às vezes com mais frequência, outras vezes com menos.
A primeira entrada remonta ao longínquo dia 26 de Junho de 2012, cuja ideia geral se resume deste modo: "Ir para fugir". Um ano e uns meses depois a situação é idêntica...
Continuei a minha viagem pelas restantes entradas: ideias, metáforas, divagações, sonhos... Até que cheguei à última entrada e à página em branco que se seguia.
Na última entrada, datada do dia 16 de Junho de 2013, registei o seguinte:
Ás vezes gostava que as pessoas percebessem aquilo que não digo. Porque o que não digo e guardo para mim, chega a ter mais importância que o que digo.
Não falo, aqui, de segredos, mas de coisas que prefiro calar por serem, à falta de melhor adjectivo, infantis.
Na página em branco que se seguia, motivado pela viagem feita a tudo o que tinha escrito para trás, escrevi o seguinte:
Por vezes, desce sobre mim o espírito das coisas passadas, aquilo a que chamamos nostalgia.
Dou por mim a chorar. Fico a brincar com a caneta nas mãos, enquanto me passam imagens diante dos olhos, que fitam o infinito e que se enchem de lágrimas. Passo um leve risco por cima do que tinha escrito e por baixo acrescento:
-Porque choras?
-Porque já fui feliz.
Já fui feliz e sempre que me lembro disso, lembro-me também de que nunca mais irei viver essa felicidade e que, provavelmente, nunca serei tão feliz como fui. Contudo, só hoje sei que fui feliz...
Não podes ter medo do que aí vem, dizem eles, mas falar é fácil e eu tenho medo e sinto-me sozinho. Sinto que um fosso está a crescer entre mim e praticamente todas as pessoas à minha volta. Talvez por culpa minha, talvez por culpa deles, mas sinto-me deslocado e afastado de toda a gente.
Ainda hoje, ao ler os tweets de alguns amigos, me dei conta do quão diferentes somos e do quanto os nossos interesses são diferentes. E o fosso cresce...
É de mim, que me fecho, que me isolo, que não ligo.
É deles, que não me compreendem, que só vêm o que mostro, que não vêm para além disso.
É de ambos, eles que são cegos, eu que sou estranho.
Sonho em não ser eu, frequentemente, porque me canso de mim, de pensar como penso, de ver o mundo como vejo, de sentir as coisas como sinto. Mas tenho de continuar a ser eu, para o bem e para o mal, até que a morte nos separe.

"Ah, poder ser tu, sendo eu! 
Ter a tua alegre inconsciência, 
E a consciência disso!(...)"
Fernando Pessoa

1.8.13

Sem Facebook - Dia 6

Continuo sem perceber se sou eu o mau e o inútil, ou se são eles que não querem ver quem sou.
A minha mãe toma-me por um grande irresponsável e pela pessoa mais inútil neste mundo e no outro. Eu, sinceramente, não sei o que fazer para que ela deixe de dizer as coisas que diz e que me irritam, às vezes, e magoam, outras vezes.
Ela queixa-se de tudo! Queixa-se porque me levanto ás 10.30, queixa-se porque me levanto ao meio dia; queixa-se porque me deito ás 3 da manhã, queixa-se porque me deito à meia noite. Queixa-se, até, porque não sei as notas da única pessoa que ela conhece da minha turma, bem como a sua média, universidades e cursos a que se candidatou e depois diz que ando desatento. Mas esperem! Ando desatento, no geral! Sim, porque as conversas com a minha mãe nunca são normais, seja lá o que isso for, ela tanto está a falar do caso particular, do assunto em si, ou então a generalizar, partindo do tema da conversa, mas por vezes nem tendo muito sentido a generalização com base nesse tema... Confusos? Bem, depois disto, como é que é possível as nossas conversas não degenerarem em discussões?