26.7.13

Sem Facebook - Dia 0

Trago novidades.
A minha candidatura à universidade já foi feita, apesar de continuar com dúvidas sobre se será a melhor opção, no entanto, de uma maneira, diria, egoísta, conforta-me saber que não sou o único com dúvidas e preocupado com o meu futuro académico.
Ainda há muito para ser tratado - bolsa de estudo, alojamento... -, mas estou confiante de que vou entrar na minha primeira opção, longe de casa. Sim, quero sair daqui, aliás, preciso de sair daqui! Vai ser complicado, mas o ambiente nestes últimos dias só tem contribuído para este meu desejo crescer cada vez mais. Não sei se sou eu que sou uma má pessoa, uma pessoa horrível que não se importa com ninguém, ou se, simplesmente, sou mal entendido pelos meus pais; de uma maneira ou de outra, as discussões sucedem-se, infelizmente.

Hoje, à hora de almoço, aconteceu mais uma discussão. As coisas aqui, são sempre demasiado complicadas: as conversas, aquilo que tu quiseste dizer, aquilo que eu interpretei, etc, etc, são tudo variáveis a ter em conta, o que dificulta, e muito, a comunicação por estes lados. Portanto, as discussões começam por coisas estúpidas e esta não foi excepção.
Com a mania de dizer que acaba sempre as conversas que está a ter, a minha mãe decidiu ignorar-me, enquanto estávamos a falar e começou a falar para o meu pai. A conversa arrastou-se, até que eu comentei: "Haja paciência."! Arrogantemente, logo perguntou o que se passava, mas, que surpresa, não se lembrava que tinha estado a falar comigo e que me tinha deixado a meio de uma pergunta. Já estou habituado a ser ignorado por aqui, hoje provei a minha teoria. Parece absurdo, tudo isto, mas aconteceu.
Depois, já não me recordo, a discussão alastrou-se ao meu pai e prendia-se com a questão de eu apenas ter escolhido uma universidade, longe de casa, mas três cursos diferentes. Discussão, discussão, eu nunca conto nada, a minha mãe não sabe nada acerca de mim, discussão, discussão, até que ela diz que eu só estou no computador, vejo televisão, leio, como e durmo. Ou seja, tenho sido um inútil, um imprestável que só está a aqui a gastar recursos, quando estes já são tão escassos. Talvez esteja a exagerar, mas isto fez-me questionar a minha pessoa, aquilo que eu estou aqui a fazer e, devo dizer, que o exercício resultou em lágrimas.
Não sou uma pessoa de chorar muito, choro muito esporadicamente, mas hoje, devo ter batido o meu recorde pessoal. Os meus pais foram tomar o café ao terraço, enquanto eu fiquei na cozinha a acabar de comer a minha fruta. Comecei a ficar meio... emocionado. Fui para o terraço tomar o café e, entretanto, o meu pai saiu para o trabalho e a minha mãe foi acompanhá-lo à porta e não regressou. Bebi o café e chorei. As lágrimas deslizavam pela minha cara com tanta facilidade, o meu lábio inferior tremia e, naquele momento, estava mesmo infeliz.
Estive uns momentos a tentar controlar-me e voltei para dentro. Fui lavar a loiça e os meus olhos logo começaram a encher-se de água e, mais uma vez, as lágrimas não tiveram dificuldade em encontrar o seu caminho através da minha cara. Costumo sempre ouvir música nos meus fones, enquanto lavo a loiça e até canto em voz alta, fico com mais vontade de lavar a loiça assim, mas hoje, foi o dia em que eu não cantei.
Acabei de arrumar a cozinha e deitei-me no sofá com o portátil no colo. Tenho vindo a pensar nos meus amigos desde há uns dias... Sinto que não os tenho.
É verão, as pessoas saem, vão-se divertir, vão à piscina, os meus amigos já foram à piscina, mas eu... nem um convite. Talvez esteja a ser egoísta, egocêntrico e tudo o mais, mas a verdade é que já não ouço deles há algum tempo, a não ser pelo Facebook, onde vejo algumas fotografias das suas férias...
Sinto-me sozinho! Estou a viver um dos tempos mais horríveis da minha vida e não tenho ninguém que compreenda as minhas dúvidas, as minhas hesitações, os meus receios. Ninguém que me conheça suficientemente bem para saber aquilo que eu não estou a dizer... Praticamente, ninguém está lá!
O que nos leva ao título deste post.
Já várias vezes tinha afirmado que só me mantinha no Facebook para estar em contacto com os meus amigos, visto já não usar MSN ou Skype ou o que raio se usa agora. No entanto, visto não ter amigos, ou, pelo menos, aparentemente, já não fazia sentido manter a minha página do Facebook e torturar-me com a bela vida que os outros estão a ter e eu não. Desactivei a minha conta.
Claro que isto representou logo uma ofensa à minha mãe que utiliza essa rede social para me controlar, ou pelo menos é isso que faz transparecer, ao queixar-se, ridiculamente, sobre coisas que EU escrevia na MINHA página. Por várias vezes a eliminei dos amigos, mas ela insistia sempre em que eu a adicionasse de volta e eu acedia, mas já percebi que ter os pais adicionados numa rede social, não dá bom resultado. Desta vez, aconteceu que se juntou tudo e acabei com o meu Facebook.
Ela perguntou-me se a tinha eliminado do Facebook e eu respondi que não, como continuava a não conseguir aceder à minha página, perguntou o que se passava e eu disse que tinha eliminado a página. Estás a gozar comigo, porque é que fizeste isso, perguntou, respondi-lhe com enorme desprezo que aquilo era meu e, portanto, era minha a decisão de o fazer ou não. Ironicamente, sou eu o malvado, aquele que fala para ela sempre com sete pedras na mão, sempre a culpá-la de alguma coisa. Talvez a culpe pelo meu nascimento, às vezes penso que seria tão mais feliz se não tivesse nascido.
Não, não posso estar bem, quando aquilo que me vem à cabeça são as minhas veias salientes dos braços, uma faca e depois o toque quente do sangue a escorrer... Mas isto sou eu a ser parvo e a pensar em parvoíces. Curiosamente, sempre penso que quando morrer será porque eu quis e, geralmente, isso implica um voo do alto de um prédio, mas, ultimamente, o sangue quente a escorrer das minhas veias salientes tem-me fascinado.
Tem sido difícil estar sem Facebook, quando uma boa parte do tempo passado no computador era dedicado a essa rede social. Hoje fiquei simplesmente a ouvir música para me acalmar... No entanto, tenho tido muita vontade de regressar, mas tenho conseguido reprimi-la. Será uma vitória para mim conseguir aprender a viver sem Facebook, depois de tanto tempo habituado a usá-lo. Vamos ver quanto tempo dura...

7 comentários:

iLoveMyShoes disse...

Adam... todos passamos por fases mais ou menos agradáveis com os nossos pais. Tem calma, com o tempo vais aprender a relevar estas questões. Se tens a consciência tranquila, vais perceber que estas coisas não têm importância nenhuma. :)

Kyle Phillipe disse...

Agendei a eliminação da minha conta, demora 14 dias, já passaram 7 e sinto-me outro, mais forte, mais vivo e com mais para viver. Entendes-me? O facebook prende-nos a algo que não é real.
Eu não me posso queixar dos amigos que tenho, por isso não sei como te ajudar nesse aspeto, mas experimenta falar com eles, cara a cara.
E cuidado com essas ideias de sangue e tal, eu passei por um período conturbado e depois de começar é difícil parar. Quero-te bem rapaz.
Força!

Lobo Solitário disse...

Podes dizer que é mentira, mas digo-te por experiência, são fases da tua vida que te põem à prova e fazem-te crescer enquanto pessoa.
As vezes também tenho dessas discussões, com rios de lágrimas incluídos, mas acabo por me recompor e seguir em frente.
Setembro vais começar uma nova vida. Vais conhecer novas pessoas, outros ambientes, tudo vai melhorar.

abraços apertados e não te deixes cair no poço

Ricardo disse...

Olha tens de ter calma. Essas discussões são de certa forma normais. E daqui a nada já estás na faculdade e um pouco longe de todas essas confusões. E não precisam de ser os teus amigos a convidarem-te, convida-os a eles para algo também :)

Não stresses, as coisas resolvem-se. Mesmo! É só dar tempo ao tempo. E não faças essas asneiras que de vez em quando te assombram a mente. Isso é que não vale mesmo a pena.

Um abraço e força

Ricardo disse...

P.S. Se for preciso falar é só mandares um e-mail ;)

Anónimo disse...

Estou exatamente como tu. As discussões são cada vez maiores cá em casa. Também já me candidatei à universidade (para Lisboa, longe de casa, felizmente!). Já visito o teu blog desde o ano passado e acho-te super parecido comigo. Adorava falar contigo num dia destes :)

rapaz blogger disse...

Calma rapaz,
as coisas vão melhorar.... espera so por Setembro....

vais-te esquecer disto tudo