17.6.13

O Exame.

Sim, fiz exame. Na minha escola, só duas salas não fizeram exame, na outra escola secundária da cidade, só duas salas fizeram exame. Apesar disso, só soube que ia fazer exame, quando faltavam 5 minutos para as 9.30h, o início da prova.
Na meia hora que passei dentro da sala - desde as 9h até às 9.30h - via gente no corredor de um lado para o outro, professores a vir à porta da sala perguntar se a professora estava sozinha... Para quem não sabe, são precisos dois professores por sala para vigiar o exame, se não chegasse outro professor, não poderíamos ter exame. Por isso, se houve falar das irregularidades em algumas escolas, como alunos a fazer exames em refeitórios e ginásios ou professores de português a vigiar a própria prova (o que é ilegal).
Enfim, sei que não entrei nervoso para a sala, estava muito calmo, tendo em conta que quase não estudei para este exame, em detrimento daquele que vou ter amanhã, mas com toda aquela agitação - e não me esqueço da cara da Directora da minha escola, muito preocupada, como nunca tinha visto - e a incerteza da realização do exame, fiquei nervoso, que até tremia.
Lá chegou um professor para a minha sala, a Directora foi vigiar a outra ao lado e eu lá acalmei.
Sinto-me beneficiado e prejudicado por ter feito o exame hoje. Beneficiado, por um lado, porque já está feito, é menos uma coisa com que eu tenho de me preocupar. Mas, por outro lado, sinto-me prejudicado, porque quem não fez o exame hoje, vai ter mais tempo que eu para se preparar. É que eu, ao mesmo tempo que me preparava para o exame de Português, também me preparava para o exame de Biologia e Geologia de 11º ano, para fazer melhoria de nota. Para não falar do facto de que o exame pode ser mais fácil ou mais difícil do que aquele que eu fiz, resultando em descontentamento de um dos lados, sempre.
O Ministro disse que o grau de dificuldade é o mesmo, tudo bem, até pode ser, mas isso não garante a total equidade da situação, com uns a terem mais tempo que outros, uns a serem filhos e outros enteados. Aliás, aqui, a bem dizer, isso nem se pode dizer, porque ninguém escolheu se queria ou não fazer exame.
Enfim, isto é uma palhaçada autêntica, mas, repito, concordo com esta greve e continuo do lado dos professores. Acho que, depois de um pré-aviso de greve para um dia de exame, a coisa mais sensata seria marcar o exame para outra data, mas o Ministro decidiu ser teimoso, pelo que, agora estamos nesta situação.
Enfim, juro que queria ser sintético!

3 comentários:

Príncipe Rebelde disse...

O nosso país está numa grave crise e não me refiro a económica, mas sim de valores.
E eu não consigo estar do lado dos professores, quer dizer, pelo lado compreendo que eles façam greve mas caramba, a vida de alunos estava em jogo e eles preferiram olhar para o umbigo deles, também não foi correto.
Estou descontente com ambas as partes.
E bem boa sorte para os exames :)

um coelho disse...

É difícil fazer duas provas diferentes com níveis de dificuldade iguais, porque nem as perguntas se podem repetir nem quase ninguém sabe a totalidade da matéria com a mesma profundidade. Na televisão ouvi os alunos dizerem que a prova era fácil. Se assim foi, talvez tenhas sido beneficiado. Prejudicados, foram todos, de uma forma ou de outra.

AdamWilde disse...

@um coelho, quem está de fora, acha sempre que é fácil... Mas, lá está, há quem se sinta mais à vontade com Ricardo Reis e não tenha feito a prova e o contrário também aconteceu...
@Príncipe Rebelde, compreendo o que queres dizer, mas acho que, para já, a vida dos estudantes não está, nem nunca esteve em risco... O exame ir-se-ia realizar no matter what, a questão era o dia.