22.8.12

Abre-se o coração e dá-se o amor.

Eu fui estúpido em convidá-lo para vir dormir a minha casa e ele foi estúpido em aceitar; ambos temos culpa. Já devíamos ter percebido que nunca poderemos ter uma amizade normal, porque existirá sempre aquela cena.
Aquela cena foi e será sempre uma cena importante na minha vida: o meu primeiro namorado, o meu primeiro amor, mas acabou. Acabou e creio que não há volta a dar, pelo menos neste futuro a médio prazo; é que sou feliz com um dos Anónimos deste blog e não troco isso por uma presença física constante.
O meu primeiro namorado veio dormir na minha casa, na minha cama e eu, na minha ingenuidade, era talvez o único a achar que ele não iria tentar nada... Mas estava enganado!
Com palavras doces, encostou-se a mim para me tentar fazer ver que só poderia ser verdadeiramente feliz com ele: que era ele que estava ali e não o meu Anónimo, que era ele que me podia proteger, que era ele com quem estava todos os dias... Mas para que serviria estar com ele todos os dias, se antes não tinha resultado? Ter de estar ao lado dele e fingir que sou um amigo como todos os outros, em todo o lado, era frustrante, sobrando-nos pouquíssimo tempo daquele escasso que já tínhamos.
Se das duas vezes não tinha resultado - ou resultou durante algum tempo, mas a que preço?! - porque iria resultar à terceira? Sim: crescemos, aprendemos um com o outro e poderíamos evitar cometer os mesmos erros e cometer outros novos e crescer ainda mais, mas eu era, sou e serei (assim farei por isso) feliz com o Anónimo deste blog. Não faria sentido deitar fora algo tão bom, magoar alguém tão fantástico como ele, só para tentar mais uma vez, só para satisfazer um capricho...
Confesso que quando conheci o Anónimo (e ele deixou de ser anónimo e passou a ter um rosto, uma voz, um corpo, uma personalidade) e quando percebemos que gostávamos um do outro, eu ainda tinha a esperança de que pudesse voltar para o meu primeiro (e único, até àquela data) namorado. Eu sei que ele estava apaixonado por outro, mas ele dizia-me que num futuro próximo talvez pudesse acontecer alguma coisa entre nós em resposta às minhas tentativas de me aproximar; e eu esperava que esse futuro fosse mesmo próximo.
A porta estava entreaberta, se ele quisesse entrar era só abri-la por completo que eu estaria do outro lado; mas o Anónimo fez-me ver que talvez fechar a porta fosse boa ideia, que talvez deixar que uma janela se abrisse fosse boa ideia... Havia gente a querer entrar e a porta estava ocupada!
Por isso afastei o meu primeiro namorado para a outra ponta da cama... Não era não e agora era tarde demais!
"É tarde demais."
"Porquê?"
"É tarde demais, já sou feliz!"
Decidi fechar a porta por completo quando o Anónimo me beijou pela primeira vez e tranquei-a definitivamente depois de toda esta cena. Não quero nem posso voltar para ele.
Mas o bom de um novo namorado, de uma nova paixão, arrisco-me até a dizer, de um novo amor é uma oportunidade para novos começos, para novas primeiras vezes.
A primeira vez que o beijei; a primeira vez que ele me agarrou a mão e que passeámos de mãos dadas; a primeira vez que me sentei ao colo dele e a primeira vez em que ele se sentou ao meu colo; a primeira vez que o abracei e o senti totalmente colado a mim, sendo parte de mim e nunca mais se desintegrando; o primeiro beijo de despedida... E agora, novas primeiras vezes: a primeira vez a dormir em casa dele, a passar com ele um dia inteiro, de manhã à noite; a primeira vez em que vou acordar ao lado dele; a primeira vez em que a primeira coisa que vejo, é ele!
Quinta-feira apanharei o comboio, sairei na estação certa e lá estará ele à minha espera, pronto para me receber de braços abertos para me dar todos os beijos e todos os abraços que fomos prometendo ao longo destes dias em que estivemos separados.
Ele é o único que eu quero.

3 comentários:

Anónimo disse...

És perfeito :D

Lobo Solitário disse...

Foste sensato. O teu namorado tem muita sorte. :D

João Francisco disse...

Estiveste bem , nao podias ter agido melhor . O teu boy nao tem um unico motivo para nao confiar em ti depois disto .