22.6.12

Loucura #2

-Eu não sofro só por isso, não... Ontem arranquei um cabelo branco. É a velhice... o "fim" que se anuncia... Viver para morrer... Ah! como é horroroso... como é horroroso... O tempo caminha com uma velocidade que, num segundo, num minuto, outro minuto; numa hora, outra hora. É abominável!... Vai-nos destruindo a cada instante... ininterruptamente... inexoravelmente...
-"O tempo... o tempo... o cancro enorme" - recitei com ironia, lembrando-me do verso do poeta.
-Sou um desgraçado... Um grande desgraçado, acredita...
A Loucura de Mário de Sá-Carneiro

Aqui está outro escritor que gostaria de ler mais.

2 comentários:

Max disse...

Diz ao senhor que em vez de perder tempo a arrancar cabelos brancos, devia fazer algo único na vida. Essa é a piada de viver.

Anónimo disse...

Sá-Carneiro tem um peso literário que é difícil igualar, um dos mais doutos e eruditos escritores portugueses. Por isso, certamente, creio que fez algo que transcende a unicidade e que o comum dos mortais, no seu mais recôndito desejo, consegue obter. Felizmente a genialidade não é para todos.
Take care,
VonC.