27.1.12

A Triste e Cruel Realidade


Acabou…
Já não existirão mais sorrisos brilhantes a rasgar a face ladeada pelos seus cabelos castanhos; já não existirão mais momentos em que ela poderá estar com aqueles que ama.
Já não existe todo um futuro cheio de incontáveis escolhas e decisões para serem tomadas à sua frente; já não existe a oportunidade de crescer e encontrar a felicidade, o amor, as alegrias e as tristezas da vida, de se decepcionar, de cair e de se levantar mesmo quando mais ninguém lá estiver para lhe amparar a queda, de errar, de aprender, de conhecer alguém que lhe mude a vida de uma forma irreparável…
Para ela, acabou.
Não a conhecia tão bem como muitos e também não vou dizer que ela era a pessoa mais maravilhosa à face da Terra, porque, se calhar, não era… Mas vou dizer que me afectou!
De certa forma, afectou-nos a todos… Olho para o futuro de outra maneira, olho para a minha vida de outra maneira, olho para Deus de outra maneira.
Não posso explicar quanta raiva tenho a correr dentro de mim, por Ele permitir que isto tenha acontecido! Não és tu o Deus Todo-Poderoso, o Benevolente e Aquele que zela por todos nós, Teus filhos? Como pudeste, então, tirar-lhe a oportunidade de explorar um futuro aberto e incerto, como lhe pudeste negar a maior aventura da vida dela?
Odeio-te, sabes?
Custa a crer que ela tivesse a mesma idade que eu… Mas, atendendo a este facto, é fácil imaginar que em vez dela poderia ser eu, ou um dos meus amigos, ou um dos meus colegas, ou alguém ainda mais novo!...
Isto fez-me ver que, por mais tentadora que a ideia seja, não tenho o meu futuro garantido, que o amanhã pode nunca mais chegar e que mais vale aproveitar o dia de hoje, que há coisas que não devem ficar por dizer, como “Amo-te”, “Adoro-te”, “Obrigado por tudo”.
Com dezasseis anos de vida, passou por uma luta que só se espera que alguém com mais quarenta ou cinquenta anos combata – um cancro. Pereceu a travar essa luta, sempre com um sorriso na cara, segundo me contaram.
Não a conhecia muito bem, mas conheço o seu sorriso e lembrar-me-ei dele, sempre que estiver sem esperança por qualquer assunto e sempre que aceitar o amanhã com certeza, ignorando o hoje.
Esta é a minha forma de dizer que lamento a sua morte e que estou profundamente triste por tal coisa ter sucedido.
Para ela, acabou.
C* 1995-2012


3 comentários:

Lobo Solitário disse...

A vida é efémera, e o destino é imprevisível. Não é Ele que decide quando nos deve cortar o fio da vida, com a tesoura das Moiras. A vida é mesmo assim, feita de imprevistos, de acontecimentos, de experiências. O corpo humano é um conjunto de organismos complexos e cheios de anomalias.

É por isso que não acredito completamente n'Ele. Sou demasiado científico e objetivo e talvez frio.

Os meus pêsames rapaz

Anónimo disse...

Ela estará sempre nos nossos corações, penso que estejas a falar da mesma pessoa em que estou a pensar :( It's sad but's true

um coelho disse...

Já aqui há algum tempo tinhas feito referência a esta situação. Foi uma homenagem bonita, e acho que a pessoa visada, onde quer que esteja agora, terá ficado feliz por saber que te teve como amigo.