14.1.12

Porque as coisas não vão assim tão bem...


Sinto-me como um estrangeiro num país que não é o seu… Já estou mesmo a ver: “Precisio de ir a la rua X, me pode dizer onde fica?” “Mi dispiace, ma io non vi capisco”, eu por outro lado, não preciso de ir para lado nenhum senão para dentro de mim.
Preciso de vasculhar muito bem o que se esconde por baixo destes escombros, por baixo deste pó, que parece um estranho, denso e irrespirável nevoeiro; será que, depois do colapso, ainda se encontra alguém vivo lá debaixo?
O que mais me choca é o facto de ter sido eu o causador desta derrocada que, provavelmente, não deixou ninguém para contar a história; porque eu deveria fazer, regularmente, as inspeções à estrutura e à integridade do edifício e, como este edifício é especial, também é necessário fazer a inspeção aos seus, apenas, dois moradores: o Sr. Joaquim Pulsante e o Sr. José Pensante.
Acontece que o Sr. José é o administrador e não quis ouvir as queixas e mais queixas do Sr. Pulsante, que davam conta de enormes rachadelas, paredes a cair aos pedações e mais uma série de coisas! O Sr. Pensante decidiu que era exagero, não me chamou e eu também não fiz questão em me preocupar mais com o edifício.
No dia em que o Sr. José Pensante saiu e tirou umas férias, eis que a desgraça acontece, ou melhor dizendo, o colapso dá-se, levando pelo menos, o Sr. Joaquim.
E agora, aqui, sem coração, que está morto, e sem cérebro, que está de férias, nem a razão nem a intuição me restam…

1 comentário:

Anónimo disse...

Para que o teu prédio se mantivesse de pé, é bastante óbvio que o Sr. Joaquim e o Sr. José trabalhassem juntos. Mas isso é como tudo... Todos os pares, equipas, parceiros têm de trabalhar em conjunto para que as coisas corram bem. Mas voltando ao edifício. Era bastante óbvio que os alicerces estavam bem construídos. Era um prédio sólido que demorou bastante a render-se aos problemas superficiais. No entanto, estes alicerces não são feitos de uma substância inquebrável. Tudo tem limites, como é óbvio. Também é, de facto, uma pena que nós não consigamos ver o limite a olho nu. No entanto há maneiras de testar esse limite. Acredito que quando o prédio cai, é mesmo por isso, porque alguém decidiu testar os limites do edifício. E assim foi, os limites foram testados, e os alicerces cederam, e o prédio caiu. Porquê? Falta de comunicação, falta de cooperação... Depois do prédio ter caído há duas opções:
- Ou a equipa separa-se, os parceiros afastam-se e o equilíbrio não volta.
- Ou a equipa volta a tentar e os parceiros corrigem os erros anteriores, e fazem um prédio ainda melhor tendo em conta os erros do passado, aproximando-se de um equilíbrio perfeito.
Mas tal como os alicerces, ou como o prédio, as pessoas têm limites. Quando um dos membros da equipa ultrapassa esse limite, é natural que as pessoas que acompanham esse membro quebrem e desistam de voltar a tentar. Como resolver este problema? Há inúmeras soluções, todas elas dolorosas, no fundo... Seja como for, dou-te a ti o privilégio de chegar a essas conclusões.
Vou concluir com uma coisa que convém que retenhas: Ninguém morre com uma queda de um edifício, ninguém! É verdade os moradores se magoam, magoam a sério! E também é verdade que essa dor demora a passar... (Talvez tempo demais!) Mas uma coisa é certa: Limites há muitos, equipas há muitas e vontade de construir edifícios ainda mais. Agora temos de ter em mente com quem é que vale a pena construir estes edifícios.