29.1.12

Poesia Ao Domingo #5

O Valor do Vento

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

Ruy Belo




28.1.12

Insanidade


Era assim que eu me sentia na última semana de aulas do primeiro período:

Tac! Tac! Tac! O giz batia no quadro com quanta força ela tinha e o som ressoava na sala, ou pelo menos na minha cabeça.
Tac! Tac! Tac! Tenho a certeza que a mulher, gorda, velha e papuda não sabia como as minhas entranhas se estavam a contrair para não gritar! E o tac, tac, tac continuava…
Parou. Desta vez, a mulher gorda, velha e papuda começou a falar: a sua voz era estridente e irritante, ecoava na minha cabeça e por lá se demorava; parecia não saber onde era a saída. Isso e o TAC! TAC! TAC!, que começava novamente com mais intensidade e com mais rapidez, e também as minhas entranhas se contraiam com mais intensidade e a minha cabeça doía mais com o ressoar do giz, dentro daquela gizeira azul, a bater na ardósia negra e aquele som estridente que saía da boca dela.
Não, não me faça mais isto, imploro-lhe, pare… Pare. PARE! Pare por amor da santa!
Mas o giz continuava na sua batalha contra a ardósia, branco contra preto, bem contra mal, metal contra metal; e a luta continuava e a minha cabeça doía e nela ainda ressoavam os restos da batalha, mesmo depois de esta acabar!
Chega, sua velha bruxa! Chega, deixe-me sair, devolva-me a minha liberdade, devolva-me a minha sanidade, chega deste inferno, não consigo mais…
Desisto.

27.1.12

A Triste e Cruel Realidade


Acabou…
Já não existirão mais sorrisos brilhantes a rasgar a face ladeada pelos seus cabelos castanhos; já não existirão mais momentos em que ela poderá estar com aqueles que ama.
Já não existe todo um futuro cheio de incontáveis escolhas e decisões para serem tomadas à sua frente; já não existe a oportunidade de crescer e encontrar a felicidade, o amor, as alegrias e as tristezas da vida, de se decepcionar, de cair e de se levantar mesmo quando mais ninguém lá estiver para lhe amparar a queda, de errar, de aprender, de conhecer alguém que lhe mude a vida de uma forma irreparável…
Para ela, acabou.
Não a conhecia tão bem como muitos e também não vou dizer que ela era a pessoa mais maravilhosa à face da Terra, porque, se calhar, não era… Mas vou dizer que me afectou!
De certa forma, afectou-nos a todos… Olho para o futuro de outra maneira, olho para a minha vida de outra maneira, olho para Deus de outra maneira.
Não posso explicar quanta raiva tenho a correr dentro de mim, por Ele permitir que isto tenha acontecido! Não és tu o Deus Todo-Poderoso, o Benevolente e Aquele que zela por todos nós, Teus filhos? Como pudeste, então, tirar-lhe a oportunidade de explorar um futuro aberto e incerto, como lhe pudeste negar a maior aventura da vida dela?
Odeio-te, sabes?
Custa a crer que ela tivesse a mesma idade que eu… Mas, atendendo a este facto, é fácil imaginar que em vez dela poderia ser eu, ou um dos meus amigos, ou um dos meus colegas, ou alguém ainda mais novo!...
Isto fez-me ver que, por mais tentadora que a ideia seja, não tenho o meu futuro garantido, que o amanhã pode nunca mais chegar e que mais vale aproveitar o dia de hoje, que há coisas que não devem ficar por dizer, como “Amo-te”, “Adoro-te”, “Obrigado por tudo”.
Com dezasseis anos de vida, passou por uma luta que só se espera que alguém com mais quarenta ou cinquenta anos combata – um cancro. Pereceu a travar essa luta, sempre com um sorriso na cara, segundo me contaram.
Não a conhecia muito bem, mas conheço o seu sorriso e lembrar-me-ei dele, sempre que estiver sem esperança por qualquer assunto e sempre que aceitar o amanhã com certeza, ignorando o hoje.
Esta é a minha forma de dizer que lamento a sua morte e que estou profundamente triste por tal coisa ter sucedido.
Para ela, acabou.
C* 1995-2012


O que eu faço...

...enquanto deveria estar a estudar Matemática ou Física:

Fotografo o Scott

Os cortinados lindos e verdes!! +.+

O candeeiro parecido com da Pixar x)

O meu suporte para canetas, home made!!

O reflexo da luz do Sol no espelho do meu quarto

A tralha que trago no estojo
(que, por acaso, está um bocadinho sujo)















Os resumos que faço para ver se entra algo na cabeça...
(A minha letra não é fofinha?! +.+)


A lista de afazeres para o fim de semana...
É gigante e, a esta hora, nem um item foi riscado!! =/












25.1.12

George Clooney VS. Pierce Brosnan

Estava eu a fazer o meu zapping matinal, quando me parei num canal em que falavam do Pierce Brosnan... E  achei a voz dele extremamente sexy e ele também não é nada mau! 
Já o George Clooney é aquela base... Não me consigo decidir.






VS.





Quem vence?
Amanhã é Sexta-feira, não é?
Digam que sim, por favor! Quantas mais pessoas acreditarem, mais probabilidade há de isso acontecer...

A isto se chama religião...

22.1.12

Com o novo acordo ortográfico, o optimismo dos portugueses foi reduzido...

Agora só tem 8 letras em vez de 9.

Poesia Ao Domingo #4

Qualquer Coisa de Paz

Qualquer coisa de paz. Talvez somente
a maneira de a luz a concentrar
no volume, que a deixa, inteira, assente
na gravidade interior de estar.

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente,
uma ausência de si, quase lunar,
que iluminasse o peso. E a corrente
de estar por dentro do peso a gravitar.

Ou planalto de vento. Milenária
semeadura de meditação
expondo à intempérie a sua área

de esquecimento. Aonde a solidão,
a pesar sobre si, quase que arruína
a luz da fronte onde a atenção domina.

Fernando Echevarría

21.1.12

What we all need...

...is to think out of  the box!

Coisas (não tão) óbvias #2

Se combinamos o jantar para as 20.30, no shopping, então é para ser ás 20.30, no shopping, e não ás 21.00.
Não há, nunca há, maneira fácil de se dizer isto; até porque dizê-lo ou escrevê-lo, neste caso, só me vem fazer acordar para a realidade, a dura realidade.
Já não existe um nós, apenas um ele e um eu; já não existe um todo, apenas dois seres separados; já não existimos, existe ele e existo eu...

Não vou falar sobre como tudo aconteceu, porque se fizer, verei que ele tem razão no que disse e que se fomos ao fundo, foi porque eu abandonei o navio muito cedo.

15.1.12

Poesia Ao Domingo #3

Sátira aos homens quando estão com gripe

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


António Lobo Antunes


P.S: Tenho o nariz a pingar e uma irritaçãozinha na garganta... Se no próximo fim de semana não tiverem notícias minhas, chorem, porque posso ter morrido!

14.1.12

Porque as coisas não vão assim tão bem...


Sinto-me como um estrangeiro num país que não é o seu… Já estou mesmo a ver: “Precisio de ir a la rua X, me pode dizer onde fica?” “Mi dispiace, ma io non vi capisco”, eu por outro lado, não preciso de ir para lado nenhum senão para dentro de mim.
Preciso de vasculhar muito bem o que se esconde por baixo destes escombros, por baixo deste pó, que parece um estranho, denso e irrespirável nevoeiro; será que, depois do colapso, ainda se encontra alguém vivo lá debaixo?
O que mais me choca é o facto de ter sido eu o causador desta derrocada que, provavelmente, não deixou ninguém para contar a história; porque eu deveria fazer, regularmente, as inspeções à estrutura e à integridade do edifício e, como este edifício é especial, também é necessário fazer a inspeção aos seus, apenas, dois moradores: o Sr. Joaquim Pulsante e o Sr. José Pensante.
Acontece que o Sr. José é o administrador e não quis ouvir as queixas e mais queixas do Sr. Pulsante, que davam conta de enormes rachadelas, paredes a cair aos pedações e mais uma série de coisas! O Sr. Pensante decidiu que era exagero, não me chamou e eu também não fiz questão em me preocupar mais com o edifício.
No dia em que o Sr. José Pensante saiu e tirou umas férias, eis que a desgraça acontece, ou melhor dizendo, o colapso dá-se, levando pelo menos, o Sr. Joaquim.
E agora, aqui, sem coração, que está morto, e sem cérebro, que está de férias, nem a razão nem a intuição me restam…

13.1.12

Quase que me esquecia...

...mas já lá vão 2 anos, 13 dias e 22 horas de Divagações... 
Desde esse dia já fui visto 22 mil vezes, "aganriei" 71 seguidores e fui "comentado" 1014 vezes!

Um obrigado a todos os que por aqui passam diariamente =)

E parabéns ao blog ^^
Como é que se pode dizer que Deus é justo e bondoso quando uma pessoa da minha idade, que tem toda a vida pela frente, está com uma doença que, muito provavelmente, lhe irá tirar a vida antes do espectável?

Coisas (não tão) óbvias #1

O Facebook não é um site de engates.

8.1.12

E é com mais ou menos vontade que me despeço num até para a semana... (Se conseguir!)

(A minha cena favorita e tão, mas tão homoerótica!!)

Hoje fui ver estes dois...




Poesia Ao Domingo #2

Mais ou Menos

A gente pode morar 
numa casa mais ou menos, 
numa rua mais ou menos, 
numa cidade mais ou menos 
e até ter um governo mais ou menos. 

A gente pode dormir 
numa cama mais ou menos, 
comer um feijão mais ou menos, 
ter um transporte mais ou menos 
e até ser obrigado a acreditar 
mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta 
e sentir que tudo está mais ou menos, 
tudo bem! 

Mas o que a gente não pode mesmo, 
nunca, de jeito nenhum: 
É amar mais ou menos, 
é sonhar mais ou menos, 
é ser amigo mais ou menos, 
é namorar mais ou menos, 
é ter fé mais ou menos, 
é acreditar mais ou menos. 
Senão a gente corre o risco de se tornar 
uma pessoa mais ou menos. 

Chico Xavier

6.1.12

Conclusão do Dia

(ao jantar, depois de uma discussão sobre o lado materno e paterno da minha família, levada a cabo pelos meus pais)

Eu: Quando for grande vou ser promíscuo.
Mãe: Já és.
Eu: Anh?! *fica com medo do que vai sair dali*
Mãe: És tão miudinho...
*claramente não sabe o significado de promíscuo... Eu explico-lhe e acrescento*
Eu: Ao menos não tenho que conhecer a família de ninguém e fico só com a minha, que já me dá dores de cabeça que chegue.

A minha professora de Biologia...




...acha este "jovem" um espécime bastante atraente.


Feliz Dia de Reis

Parece que a minha única resolução de ano novo está a ser cumprida (parecia mal falhar logo no início) e, com ela, vem por acréscimo mais tempo livre e, consequentemente, mais tempo para estudar e ver filmes ou ler.
Terça e Quarta-feira vi Elizabeth e Elizabeth: A Idade de Ouro, respectivamente, ambos com Kate Blanchet. Confesso que gostei mais do primeiro, porque apesar de ambos se tratarem de filmes históricos, o segundo tem ali uma espécie de romance demasiado acentuado que lhe tira um pouco o gosto mas que nos faz perceber que era difícil ser-se rei/rainha...

Fiquem com o meu novo vício, uma banda que não me dizia nada, mas que descobri recentemente e estou a adorar o último albúm:



P.S: É reconfortante saber que há pessoas que mesmo que nunca me viram, se preocupem... =')

1.1.12

A Tristeza do Novo Ano


Wow! 2012… Aposto que quem nasceu há um tempo consideravelmente grande, imaginava que este ano seria o futuro como nós o imaginamos hoje, cheio de máquinas voadoras, tecnologia altamente sofisticada e muitos néones e descobertas de planetas com vida e de migrações interplanetárias. Em suma um futuro muito mais emocionante do que aquele que estamos a viver agora.
Não gosto de passagens de ano primeiro, porque tenho sempre elevadas expectativas que nunca conseguem ser igualadas, quanto mais superadas, segundo, porque no início de cada novo ano (à semelhança do que aconteceu com o ano que passou e com o outro…) o início do velho ano me parece absurdamente perto, como se entre estes dois dias não se tivessem passado outros 365 e muitas vivências, mas apenas um.
Esta segunda razão é, aquela que me deixa mais preocupado: parece que a minha vida, os meus melhores anos, a minha (réstia de) inocência…, me estão a fugir por entre os dedos e que daqui a três ou quatro semanas morrerei, com 46 anos e sem saber como lá cheguei. Talvez esteja a viver o futuro com que sonhe hoje, ou talvez esteja a viver um futuro tão pouco emocionante como este, mas o que é certo, é que tenho a vida a escapar-me e tenho de a aproveitar enquanto é tempo, porque depois é tarde demais!
No entanto parece-me que este será um ano demasiado longo para se conseguir ultrapassar, mas espero estar errado!

Feliz 2012 a todos.

Poesia Ao Domingo #1

Os Amigos

Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!

Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!


Camilo Castelo Branco