5.11.11

PIXEL

Este deveria ser o texto para o concurso que o Sad Eyes está a promover (cliquem AQUI para saber mais), no entanto tem mais (muito mais) de 250 palavras... Amanhã tento outra vez.

Querido André,

Estava Sol mas ao longe vinham algumas nuvens que adivinhavam uma noite sem luar. E no entanto estava Sol e tu e eu seguíamos em direcção à tua casa.
A proposta tinha sido inocente, mas tu e eu sabíamos o que realmente queríamos.

Era assim que começava a carta, a derradeira carta, as derradeiras palavras a si dirigidas, por ele…

Após momentos de algum embaraço, pediste-me para te abraçar. Mais uma vez era um pedido inocente, mas tu e eu sabíamos que o que queríamos era algo mais que um simples abraço.
Largámo-nos.
Voltei a encontrar-te na tua cama e aí, o tempo parou. Os teus lábios beijavam os meus, o teu corpo juntou-se ao meu… Era um momento perfeito!

Parou a leitura da carta, já sem conseguir ver nada devido às lágrimas que lhe inundavam os olhos e que ele, a todo o custo, tentava reprimir. Se ao menos ele não o tivesse deixado partir…

Do lado de fora ninguém percebia que aquele momento era tão intenso, tão bom. Ninguém percebia que naquele momento, no momento do primeiro beijo, estava a florescer um amor que há muito que já tinha nascido.
Lembraste? Lembraste de tudo isto?
Claro que lembras, é impossível teres esquecido esse nosso primeiro momento mágico!

Parou de ler a carta e olhou em volta, como é que tudo poderia estar igual, como se nada tivesse acontecido?
Ele… Ele…
Não era capaz de terminar a frase na sua cabeça, ainda custava encarar a realidade.

Tempos depois, tudo começou a ser menos feliz e era demasiado frequente discutir sobre qualquer coisa. Onde estavam aqueles bons momentos que passámos, onde estava aquela boa disposição e aquela ternura que sentíamos um pelo outro?
Será que fomos demasiado ingénuos ao pensar que tudo iria ser bonito e adorável e fácil para sempre?
Talvez sim, talvez não…
Mas fomos, sim, ingénuos ao pensar que tudo se resolveria sozinho que estava sempre tudo bem. Eu, mais que tu, preferi acreditar nisso e olha para nós agora... Cada um para seu lado, destroçados e infelizes.
Oxalá tivesse eu conseguido demonstrar melhor que te amava; oxalá tivesse eu conseguido fazer com que não te sentisses tão inseguro quanto a mim, quanto ao meu amor por ti; oxalá tivesse eu conseguido fazer com que não parecesse que eras o único a lutar por esta relação…
Oxalá tivesse eu conseguido ter-te feito entender que te amava por seres como és, por andares sempre com um sorriso rasgado e por teres sempre uma palavra amiga a dizer a alguém que precisasse do teu apoio, mesmo que tudo se estivesse a desmoronar à tua volta. Gostava de ser como tu.
Desejo poder mudar tanta coisa, gostava de não ter dito aquelas coisas horríveis, de te ter mentido, de me ter ido embora, de não te querer ouvir… mas agora é impossível.
Escrevo-te, porque vou viajar… Vou tentar descobrir-me sem ti, o que será um processo doloroso.”

Se a carta lhe tivesse sido entregue mais cedo, talvez ele pudesse tê-lo evitado… Talvez hoje ele e o seu príncipe pudessem estar juntos com o passado atrás das costas como uma praia já explorada e o futuro à frente como uma floresta virgem.
Ele também sentia o mesmo, a sua razão para sorrir já não estava ali, a sua razão para ser feliz já não estava ali e dava pelo nome de Francisco.
Mas já não havia nada a fazer… Era mesmo tudo real… Ele, a sua razão para ser feliz, tinha partido para sempre!

Apesar de tudo, quero que saibas que, esteja onde estiver, vou-te amar sempre… Até morrer.
Nunca te esqueças de mim!
Beijo,
Francisco.

9 comentários:

Avvastar disse...

é que... está perfeito +.+

Molteir disse...

Para além deste texto mostrar um certo egoísmo, pois não acredito que alguém partisse deixando uma carta de amor, mas antes uma carta de ódio, uma mentira necessária para assegurar a sanidade...hum, não sei, achei que o texto perdia-se no seu passo. O tempo estava alternadamente muito rápido e muito lento...gostei, mas merecia ser limado e trabalhado mais um pouco.

AdamWilde disse...

Não sei se dá para perceber, mas quem escreve a carta morreu... Anyway, tinha que haver um contraste para se perceber que a história da carta era longa e que, naquele momento estava tudo a acontecer demasiado depressa, sem dar tempo para assimilar os acontecimentos...
Mas bem, obrigado pela crítica =)

Gato disse...

DAMN! Está assim para o... UAU! Não tenho palavras.

Anónimo disse...

Acompanho o blog já há bastante tempo e conheço a história de amor entre tu e o teu namorado porque estive por dentro de ambos os blogs e porntato reconheci a história. Seja como for esta carta parece-me forçada. Já há tanto tempo que não escrevias sobre ele sobre o que sentias porquê fazê-lo agora? O que te levou a escrever esta carta? Puro egoísmo.
Se calhar o rapaz não te merece.

AdamWilde disse...

Anónimo, calma! O.o
O texto é baseado na nossa história, sim, mas "um escritor inventa muitas coisas" e há coisas que não são verdade... E para se melhor interpretar o texto do ponto de vista da nossa história, é preciso saber a qual de nós corresponde o que escreveu a carta e a qual corresponde o que leu...

Anónimo disse...

Hum... Não é dificil chegar a essa conslusão. Se tivesses a pensar que era ele que tinha escrito e tu morrido, não te fazias elogios a ti proprio talvez porque nao sabes ao certo o que ele pensa de ti.
Aliás. Espero que se ele algum dia ler isto, não se questionar sobre isso (quem escreveu e quem leu): "preciso saber a qual de nós corresponde o que escreveu a carta e a qual corresponde o que leu..." Uma vez que tu no final insinuas que o escritor da carta mentiu sobre algo e diz que gostaava de ser como o leitor. Isso iria ser um bocado egocêntrico e pondome do ponto de vista do teu namorado, doloroso..

sad eyes disse...

certamente escreverás algo tão bom ou melhor com menos palavras

fico a aguardar :-)

abc

AdamWilde disse...

@Anónimo, vês, nem foi preciso responder á tua pergunta, que chegaste lá sozinho ;)

E muito obrigado a todos os elogios e criticas! =)