14.7.11

Achei bastante interessante... ;)


Deprimidos, mas com pinta
Calças de ganga azuis, t-shirt, polo ou camisa básicos em tons de branco, preto ou azul, sapatos pretos ou castanhos, ténis básicos. E não fogem muito disso.
Podemos fazer um exercício: no metro, ou no autocarro, contem quantos homens com pinta encontram. Vão ver que são quase nenhuns. Outro exercício: quando chegarem a casa, tentem recordar imagens de homens com quem se cruzaram nesse dia, que vos tenham prendido a atenção. A menos que tenham passado pelo Chiado, o mais provável é mesmo não se recordarem de nenhum.
Sinceramente, encontro duas razões para isto:
A primeira é a ausência absoluta de sentido estético, o que não é grave. Homens e moda são coisas que não combinam muito bem, e os senhores preferem quase sempre a coisa mais confortável e que não comprometa a uma pecinha mais arrojada. A ideia é vestir qualquer coisa que não choque à vista e que cumpra com o que se espera de um homem. No fundo, algo que não envergonhe, não gere comentários, passe completamente despercebido.
A segunda é mais grave: preconceito. E para falar disto recupero uma história que se passou comigo há dias. Vinha da praia com o meu filho no carro. Estacionei à porta de casa, ele saiu da cadeirinha, pu-lo no passeio, dei-lhe a mão e atravessámos a estrada. Ao longe - aí a uns 100 metros - vinha uma moto, relativamente devagar. Atravessei, sempre de mão dada com o miúdo. De repente, a moto começa a acelerar, mas aquele acelerar de fazer chiar pneu. Olhei para o lado e, mesmo tendo mais do que tempo para atravessar a estrada, disse ao miúdo para corrermos. E assim foi. Passados uns segundos, a moto passou por nós e só ouvi o condutor a gritar: "Corre, meu grande paneleiro".
O meu primeiro instinto foi pensar que era algum amigo meu, no gozo. Mas aquela voz era demasiado agressiva, num tom quase de raiva. E depois percebi. Eu ia de calções vermelhos, alpercatas às riscas, T-shirt às riscas e chapéu de palha na cabeça. Para aquele animal, isto só podia ser roupa de paneleiro. Nem mesmo o facto de ir com uma criança pela mão o levou a achar que pudesse ser outra coisa qualquer.
Mas, na verdade, existe muito este preconceito, o de que um homem que se vista com estilo, ou de forma diferente, é gay. Se calhar, porque a maioria dos gays que conheço têm, de facto, muita pinta - têm a tal preocupação estética, preocupam-se com a imagem, usam roupa com cor, gostam de seguir tendências.
Só que cada vez mais isto é, também, sinónimo de urbanidade, e não de paneleirice, como muitos homens acusam. As mulheres gostam de ver um homem com pinta. A ideia do peludo, porco e maltrapilho já não convence ninguém. E a verdade é que os que pensam assim - de que homem não pode preocupar-se com a estética, senão é gay - estão a agir como os irredutíveis da máquina de escrever, que sempre negaram o uso do computador.
E aqui entram as mulheres. Sim, vocês têm um papel nisto, não se esquivem.
Lentamente, tratem de começar a dar umas dicas aos vossos homens sobre o que usar e o que não usar. Deitem fora aquelas peças insuportáveis. Mostrem-lhes recortes de revistas com combinações engraçadas, expliquem-lhes que calças vermelhas ou verdes podem ser uma coisa alegre e que torna a aparência mais jovem.
Já que temos de andar deprimidos por causa da crise, ao menos que sejamos deprimidos com um bocadinho mais de pinta.

Os homens portugueses vestem-se, regra geral, sem gracinha nenhuma.
Fonte: O Arrumadinho 

2 comentários:

TâniaEx-Pinheiro disse...

Achei esse teu episódio uma lástima! Não é que a roupa me incomode muito, mas uma pessoa que se preocupa consigo mesma é sempre outra coisa. Por acaso os rapazes com quem me dou e mais chegados preocupam-se muito com a roupa. E vamos admitir que com todo este preconceito com africanos, sempre que vou a Lisboa vejo-os com muito melhores escolhas de cores. Deve ser por gostarmos muito de cores e preocuparmo-nos com a roupa.

TâniaEx-Pinheiro disse...

Já agoraa, o meu nome é Tânia :P