20.5.11

Poesia II

Venham ver a maravilha 

Venham ver a maravilha
Do seu corpo juvenil! O sol encharca-o de luz,
E o mar, de rojos, tem rasgos
De luxúria provocante. Avanço. Procuro olhá-lo
Mais de perto… A luz é tanta
Que tudo em volta cintila
Num clarão largo e difuso… Anda nu - saltando e rindo,
E sobre a areia da praia
Parece um astro fulgindo. Procuro olhá-lo; - e os seus olhos,
Amedrontados, recusam,
Fixar os meus… - Entristeço… Mas nesse lugar fugidio -
Pude ver a eternidade
Do beijo que eu não mereço…

António Botto 

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