16.2.11

Crónicas da Noite - III

Chegou sem sobreaviso, muito, muito lentamente. A sua intensidade foi crescendo cada vez mais e mais e a destruição por ele deixada, era quase total. O chão tremia e parecia querer fugir-me de debaixo dos pés, os edifícios caíam à minha volta e eu não sabia onde me esconder… Só queria que aquilo acabasse!
Quando acabou, deixou para trás um rasto de destruição intensa, de perdas humanas e de sofrimento, muito sofrimento. Mas…
A destruição era tão linda! Os edifícios no chão, os carros destruídos, as pontes totalmente inutilizáveis… Era terrivelmente belo aquele cenário de destruição. Conseguia obter algum prazer naquilo – ver os escombros, os cadáveres, as pessoas a sangrar e a morrer… - era digno de um retrato, porque era simplesmente de uma beleza extraordinária!
Eu não me preocupava com o resto das pessoas… Elas já estavam mortas ou quase mortas e não tinham salvamento possível.
A noite caiu. As ruas eram mais assustadoras e agora eu já não me sentia tão bem com toda aquela destruição. Não tinha para onde ir nem onde ficar, estava sem rumo e nem mesmo a Lua me podia ajudar…

E assim é o amor e a minha reacção a ele… Porque eu não sou boa pessoa, tenho um coração negro como a noite. 

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