6.11.10

O Lugar Onde Pertencemos

-Desculpa – disse ele.
Foi a última palavra que ouvi da boca dele.
Não sei pelo que me pedia desculpa… Se pelo facto de me ter infligido tanta dor e agora desferir-me o golpe final; se pelo facto de me ter abandonado, agora, que eu o queria mais que nunca.
Sei que partiu feliz e isso é o que me mantém vivo! Mas parte-me o coração (se é que eu ainda tenho cacos suficientes para serem ainda mais estilhaçados) saber que ele nunca mais irá regressar… Para junto de mim, o lugar onde pertence.
Ele partiu. Partiu a voar… Que graciosidade que ostentava, mesmo estando a dirigir-se para onde se dirigia!
Sempre o achei diferente e ele de facto era diferente! Não era comum, não era igual aos outros. Tinha uma maneira extraordinária de ver o mundo que, por vezes, eu achava ser fria e desprovida de sentimentos. Oh, mas eles estavam lá!
Dentro dele havia uma tempestade contida de sentimentos. Sentimentos que ele não queria deitar para fora, porque pensava ser incompreendido.
Fechou-se dentro de si mesmo e isso levou-o lá, para longe…
Mas agora, eu cheguei ao meu limite de sofrimento e dor. Não consigo estar mais sem ele… Também eu vou partir, mas irei a nadar… Ouvi dizer que é mais lento e doloroso… Preciso de um castigo para me conseguir perdoar pelo modo como tudo acabou!
Mais um pouco de dor e em breve estarei perto de ti, no lugar onde pertencemos.

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