17.10.10

Onde tudo acaba

Hoje fui a um cemitério, com os meus pais, por flores nas campas dos meus avós. É um cemitério de uma terra pequena, onde toda a gente se conhece e não foi díficil encontrar campas de alguns parentes ou conhecidos dos meus pais.
E tudo acaba aqui... - Diz a minha mãe, meio a sussurrar.
Não acho que tudo acabe depois da morte... Alguém haverá sempre de nos recordar com saudade e, sempre que alguém se lembra de nós, é como se nos ressuscitasse. E, então, nós não acabamos, estaremos sempre vivos no pensamento de alguém.

5 comentários:

Diana disse...

Olá!

Tu tens 15 anos, não é mesmo?

Os teus avós morreram novos, não? Não sei, digo eu! Que idades teriam esses teus avós se fossem hoje vivos?

Diana disse...

Bom, não sei se sabes, a actriz Mariana Rey Monteiro morreu com 87 anos esta semana. Morreu de velhice! Agora, calculo que os teus avós se fossem vivos não teriam essa idade nem perto disso, pois não? Na minha concepção, eu que tenho 22 anos (faço 23 para a semana que vem) acho que uma pessoa morrer aos 70 anos ainda é nova pra morrer, apesar de estar na categoria da 3ª idade! Uma das minhas avós tem perto de 80 anos (78 agora) e o pai dela e meu bisavô morreu aos 91 anos, lembro-me perfeitamente dele, eu já tinha feito 10 anos quando ele faleceu!

AdamWilde disse...

Bem, ainda tenho dois avós vivos... Um tem 70 e poucos e a outra avó tem 82...
Mas o facto de ser cedo para morrer ou não depende do ponto de vista. Eu preferia morrer em vez de estar a definhar num lar qualquer... Preferia viver até conseguir cuidar de mim, depois disso eu acho que não é vida.

Patrícia disse...

Bom, eu tenho 24 anos e lembro-me bem do meu bisavô que tinha acabado de fazer 92 anos quando eu nasci. Ele morreu aos 98 anos, tinha eu 6 anos e meio. A minha bisavó e ex-mulher dele (divorciaram-se no inicio dos anos 40) morreu aos 86 anos há 30 anos atrás. Eu sou a bisneta mais nova e o meu avô, que tem quase 87 anos agora e era o segundo de três filhos (o mais velho vai fazer 90 em Fevereiro e a mais nova tem 79 anos)! O meu avô está viuvo há cinco anos e faz a vida dele sozinho e é autónomo, o irmão mais velho está num lar de qualidade e com boa assistência, está numa residência como se fosse uma pensão e entretém-se bem, de vez em quando dá os seus passeios. O meu bisavô até aos 90 anos era autónomo e mexia-se bem e nos últimos 8 anos de vida estava em casa dos meus avós paternos (o meu pai, de 60 anos, era um dos netos desse meu bisavô e é filho do meu avô que era filho desse meu bisavô, o meu avô pagou a uma empregada para tomar conta dele e ele apesar da imobilidade e da extrema velhice, tinha uma certa qualidade de vida.

Portanto, depende muito de como a pessoa se trata e se cuida ao longo da vida, pode não definhar ou então acontecer bem mais tarde!

João Filipe disse...

Boas!

Uma vez já comentei no teu blog como leitor. Eu ainda tenho uma tia bisavó viva que fez 94 anos no ultimo fim-de-semana! Ela foi uma mulher extraordinária, de esquerda, trabalhou, cultivou-se, viajou, foi independente! Ela não era católica, e nunca se casou pela igreja! Ela viveu uma união de facto durante 10 anos, entre os 25 e os 35 anos com um senhor (que eu por acaso conheci, morreu devido a problemas cardíacos, aos 87 anos, há quase 10 anos atrás). E dessa união, ela teve uma unica filha, que vai fazer 68 anos no principio da Primavera, não teve mais filhos. O meu avô é o mais velho dos sobrinhos dela, e fez 80 anos agora um pouco antes do Natal. E conheci os pais dele. O pai dele (meu bisavô) faleceu quando eu tinha 6 anos e meio e ele tinha 90 e poucos (era 2 ou 3 anos mais novo do que a cunhada é agora) e a irmã mais velha dessa minha tia bisavó faleceu aos 93 anos, já com alzheimer e sem conhecer as pessoas, tinha eu uns 10 ou 11 anos. A irmã, minha tia-bisavó, está lúcida, tem limitações próprias da idade, está num óptimo lar em que organizam passeios, excursões, convívios, não é um lar qualquer em que ela esteja a definhar. Pelo menos relativamente à irmã mais velha (minha bisavó) ela está com melhor qualidade de vida que ela. E ela só foi para o lar lá para os oitenta e muitos anos, perto de 90, foi só ai que ela deixou de ser completamente autónoma e precisou de muito mais auxílio e mais apoio. Foi há mais ou menos 6 anos que a filha (agora com 67 para 68 anos) achou que era melhor providenciar um bom lar para a senhora, para o bem dela, para lhe proporcionar um fim de vida com melhor qualidade.

Abraço e fica bem