12.6.10

Estrada

Decidi enveredar por essa estrada. Essa estrada para mim desconhecida, por mim nunca antes pisada. Decidi enveredar por essa estrada porque precisava de uma alternativa, uma alternativa afortunada!
Segui, então, essa estrada; era escura e fria; um bom refúgio para mim, que estava tão lá no fundo de mim. O horizonte revelava-se brilhante como uma luz ao fundo do túnel, mas eu não tinha forças para lá chegar e essa estrada era enorme. Decidi sentar-me no meio dessa estrada enorme e esperar…
Esperar que eu conseguisse sair do fundo de mim, esperar que essa estrada encurtasse, esperar que a luz viesse ter comigo.
Esperei…
Esperei…
Esperei…
Até que compreendi que estava ainda mais no fundo de mim, que essa estrada estava maior e a luz menos brilhante, ou seja, mais distante. Tomei uma atitude e levantei-me; comecei a correr e, em menos de nada, tinha feito metade do caminho.
Dentro de mim, fervilhava a vontade de alcançar o fim dessa estrada e alcançar aquela luz, parecida com a luz ao fundo do túnel.
À medida que ia avançando a estrada ia-se iluminando, deveria ser aquela luz, pensei. Continuei a correr com aquela vontade a fervilhar dentro de mim…
Cheguei ao fim da estrada e deparei-me com uma bifurcação. Também tinha alcançado a luz, mas não lhe conseguia tocar… Ela é que me tocava, dentro de mim!
Não sei bem porquê, mas sentia-me a subir, a subir, quase a regressar à superfície de mim; estava cada vez melhor e mais feliz.
Era a luz! Senti-me aconchegado, como se todos aqueles que me tentaram ajudar me estivessem a abraçar.
O bem-estar que a luz me proporcionava impedia-me de ficar zangado após ter percorrido essa enorme estrada para, no final, encontrar uma bifurcação. Mais uma…, pensei. E então, percebi!
Eu estava a percorrer a estrada da Vida, da minha Vida; onde cada bifurcação é uma decisão que eu tomo e cada luz é uma esperança nas estradas mais escuras e frias, a luz é um aconchego. O meu aconchego!

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